20 maio 2008

Uma longa resposta III

Quanto à Feira propriamente dita, e à participação da Leya neste processo, digo o seguinte: pessoalmente, parece-me muito bem que os editores proponham alterações ao modelo da Feira, se disso sentem necessidade, assim como me parece muito bem que não o façam, se para aí não estiverem virados. Mas parece-me bem que o façam nos locais onde se associam e, já agora, de um modo o mais transparente possível. O que cheirou a esturro (e a prepotência, e a desprezo pelo debate e pelas próprias associações) foi a ausência da Leya nos espaços de debate, em pé de igualdade com os restantes editores (seus pares, ou não?). E o que esturricou de vez toda a credibilidade do processo foi o facto de, depois dessa ausência, a Leya surgir constantemente como uma terceira associação, apesar de ser um grupo editorial, e de a Leya insistir em não entregar a sua inscrição na Feira, à semelhança do que fizeram as restantes editoras. Ora, a partir daqui, parece legítimo que todas as outras editoras e todos os outros grupos editoriais tenham o mesmo direito de participar, como a Leya participou, nas reuniões que foram existindo. E que se perguntem para que andam a tratar de inscrições e a respeitar os regulamentos da Feira. Não sendo assim, concluo que para a Leya, as restantes editoras não são, de facto, seus pares e que, depois disto, talvez as associações não tenham grande sentido... O melhor é mesmo deixar o mercado funcionar.

3 comentários:

Rui Pedro Lérias disse...

A APEL repetidamente, e assumidamente, ao longo de anos e anos, tem boicotado, ignorado, todas as sugestões de alteração feitas em sede própria.

Por que raio deveria a Leya continuar a aturar o claro boicote da APEL?

E note-se que a Leya continua, em volume de negócios atrás da Porto Editora, que tudo indica controlar a APEL.

E no entanto nem a Porto Editora, ou mesmo a Bertelsmann, que perigosamente controla também a maior rede de livrarias do país, originou tantos anti-corpos.

Porquê? Acho que a Sara, como muitos outros comentadores, tem mostrado imensa ingenuidade sobre todo este processo.

Helder disse...

Caro Rui,

A APEL tanto tem boicotado as sugestões de alterações que elas têm sido discutidas entre as duas associações de editores, que até já estavama a chegar a um entendimento, e desde 1999 que estão a organizar em conjunto a Feira do Livro e já resolveram os seus diferendos judiciais.

Mais, antes da LeYa suscitar esta questão, as duas associações estavam em vias de se fundir. Provavelmente, com toda esta birra infantil a LeYa terá deitado por água abaixo os esforços de anos feitos, precisamente, em sede própria.

A verdadeira questão que deveria fazer era porque raio deveria a LeYa aturar um associativismo minimamente organizado e assente nos pilares do respeito e mútuo e do bom senso se isso não lhes traz qualquer lucro?
Respeito e bom senso, eis as grandes razões porque nem a Porto Editora ou Bertlsmann originaram em anos tantos anti-corpos como o grupo LeYa que cá está há pouco mais de um ano, e muito provavelmente não estará mais do que dois.

Mas desculpe lá, deixe-me perguntar-lhe Rui Pedro Lérias: Deve ter algum fetiche com a Porto Editora, não? De mais de uma centena de editoras que a APEL representa só fala de uma? É muito curto.

Nota: identifico-me como «editor anónimo» por receio de represálias de que possa ser alvo no seio da UEP, associações em que a minha editora se integra, por parte das editoras do grupo LeYa.

Rui Pedro Lérias disse...

Caro H.
Agradeço o seu comentário. É sempre bom receber uma resposta cordial como a sua (eu próprio peco muito pelo tom histriónico dos meus comentários, o que, sem intenção, acaba por matar o diálogo).
Acabou foi por assinar o seu comentário, espero que daí não lhe advenha problemas.
Eu falei na Porto Editora em especial porque ao que parece é a maior do país e, ao que parece também, é a que domina a APEL. Daí o destaque.
Quanto aos anti-corpos, preocupou-me muito mais a atitude da Bertrand há uns meses em fazer um ultimato a uma série de editoras para baixarem o preço dos livros (mas em especial para eles). Foi uma atitude de abuso claro de posição dominante no mercado.
Espantou-me as pouquíssimas respostas na altura. Especialmente se considerarmos os comentários à Leya que ainda não teve tempo de abusar da sua posição (o que acredito tentará, como tentam todos os que podem).
Quanto ao associativismo, não deveria ser obrigatório. Se a Leya quer avançar 'solo', acho que não faz nem bem nem mal, mas não deve perder direitos.
Note-se que todas as minhas opiniões são de alguém externo a esse mundo editorial e livreiro.