01 outubro 2008

Leya e o livro escolar

A outra notícia do Público a chamar a atenção no que aos livros diz respeito é a do atraso da entrega dos manuais escolares das editoras do grupo Leya, que não é bem uma notícia, mas sim a continuação de um estado de coisas que se arrasta desde Agosto. Já estamos no início de Outubro e muitos alunos (nalguns casos, turmas inteiras) continuam sem livros essenciais, os professores começam a não saber o que fazer, os pais pressionam as livrarias e os livreiros tentam ter, sem grande sucesso, respostas da Leya.
Luís Filipe Cristóvão já tinha dado conta da situação em Agosto e Setembro, lamentando a falta de condições no armazém da Leya, a ausência de previsões sobre a data de disponibilização de vários livros do grupo no mercado e da ineficácia do atendimento, quer para venda, quer para esclarecimentos. Agora, o Público traça um panorama mais amplo, mostrando que o caos se instalou em escolas e livrarias de norte a sul. Para quem queria construir um grupo sólido, profissional e eficiente, a Leya não se tem saído nada bem.

2 comentários:

Elisabete disse...

Olá! Sou professora e uma coisa posso garantir:é possível dar aulas sem manuais. Talvez este atraso ajude os professores a utilizarem as vivências dos alunos e, a partir delas, partir para novos conhecimentos.E para os consolidar...construir fichas. É trabalhoso sim, mas é gratificante e os resultados melhores. Por isso, há males que vêem por bem.Um bom trabalho para todos esses professores. Foi a primeira vez, que passeei por aqui e gostei.Felicidades!

Sara Figueiredo Costa disse...

Obrigada, Elisabete.
Assumo que sim, que seja possí´vel dar aulas sem manuais. E até acredito que aulas mais memoráveis poderiam resultar de leituras de livros não recomendados, do contacto com factos não incluídos nos programas e noutras aprendizagens não enquadráveis em planificações.
De qualquer modo, isso não altera a questão inicial: um grupo editorial que andou a 'engordar' nestes últimos tempos, crescendo, procurando afirmar-se no mercado (e esta parte, muitopor conta do escolar, a fatia maior, como se sabe), comprando editoras, na hora da verdade, n~\ao consegue responder a tempo e de modo eficiente àquilo que dele se esperava, ou seja, à colocação dos livros escolares nas livrarias e papelarias a tempo e horas.
Quanto ao resto, só posso felicitar os seus alunos. Professores motivados, capazes de ensinar para lá dos manuais e dispostos a confrontos diferentes daqueles que os programas toleram, são sempre professores marcantes. Eu lembro-me bem de alguns que tive; dos manuais, não tenho assim tantas recordações.