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01 setembro 2008

De férias, sem lenço nem documento I

A desolação nas praias portuguesas bem pode medir-se pelo calibre das leituras registadas no areal, retrato fiel dos onze meses em que nem nos lembramos dos metros de costa que temos. Em Porto Covo, a da laranja e do pessegueiro, tropeço em dois calhamaços do Dan Brown, partilhados por um jovem casal enamorado (um era a Fortaleza Digital, o outro não consegui ler porque estava sem óculos), vários jornais Sexta, de distribuição gratuita, alguns Correio da Manhã, muitas revistas com páginas repletas de fotografias daquilo a que chamam a vida social dos famosos (e que, com nomes como Bibas, Pituchas e Miquinhas, devem ser famosos na rua deles) e um livro não identificado (uma vez mais, os óculos que, ficando na toalha na hora do mergulho, não permitem focar o que se vai lendo no percurso até à água), mas com uma capa suficientemente limpa em termos de design para me fazer suspeitar que a focagem das letras do título poderia ter salvo as estatísticas bibliográficas do meu Verão. E fica feito o balanço da praia.