18 outubro 2008

Leituras de fim de semana

No Babelia, do El País, Antonio Muñoz Molina escreve sobre William Faulkner, a propósito da edição espanhola de Absalom, Absalom!.

No Guardian, publica-se um conto inédito de Aravind Adiga vencedor do Booker Prize, e um texto de Orhan Pamuk sobre a constituição da sua biblioteca pessoal.

17 outubro 2008

Encontro de escritores de Torres Vedras



O programa pode ser consultado aqui.

16 outubro 2008

Negócios em Frankfurt

A Porto Editora mandou-nos novidades da Feira de Frankfurt.
As Esquinas do Tempo, de Rosa Lobato Faria, que já leva 10.000 exemplares vendidos, vai ser editado no Brasil, com chancela da Editora LandScape, uma das principais editoras de S. Paulo. O lançamento está marcado para Março de 2009.
Para além disso, a Porto Editora garantiu os direitos de publicação para Portugal de uma série de livros de ficção estrangeira. São eles The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, de Junot Diaz, vencedor do Prémio Pulitzer para Ficção 2008, Regressar a Casa, de Rose Tremain, Prémio Orange para Ficção, Rossovermiglio, de Benedetta Cibrario, vencedora do Prémio Campiello, um dos mais conceituados galardões italianos, e The Shak, livro sensação nos EUA e que está há 19 semanas consecutivas no top do jornal New York Times.

Livros em Desassossego

A próxima sessão dos Livros em Desassossego está marcada para o dia 30, pelas 21h30, e desta vez o tema será a francofilia, À boleia do Nobel atribuído a Jean-Marie Gustave Le Clézio. O debate contará com as presenças do ensaísta Eugénio Lisboa e dos jornalistas Francisco Bélard e José Mário Silva, juntando-se-lhes a editora Maria do Rosário Pedreira (QuidNovi), que escolherá três livros publicados recentemente que gostaria de ter no seu catálogo, e o professor universitário Fernando Cabral Martins, que fará a primeira apresentação pública do Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo, que dirigiu, a publicar em Novembro pela Caminho.

O debate será, como sempre, na Casa Fernando Pessoa e a entrada é livre.

15 outubro 2008

Prémio Leya

Foi ontem anunciado o vencedor do Prémio Leya: Murilo António Carvalho, jornalista e realizador brasileiro, com o romance O Rastro do Jaguar.
No Público, pode ler-se a notícia e aqui podem acompanhar-se as tentativas de encontrar um autor que, apesar de ter livros publicados, escapa ao radar do Google.

Frankfurt 2008

A Feira de Frankfurt abre hoje as portas, transformando a cidade, durante cinco dias, no centro do mundo dos livros e da edição.
Para além do site oficial do evento, há também um blog que irá dando conta do que de mais importante se passa e que pode ser lido aqui. E os Blogtailors também por lá andam, pelo que se podem esperar actualizações regulares no sítio do costume.

14 outubro 2008

Booker 2008

Aravind Adiga, com The White Tiger (Atlantic), é o vencedor do Booker Prize 2008.

Esperando pelo Booker 2008

Enquanto não é anunciado o Booker Prize deste ano, vale a pena reler as notas que o José Mário Silva foi escrevendo na sua maratona de leitura dos romances nomeados. E se ainda sobrar tempo, há sempre a opção do Quizz que o Guardian preparou sobre o prémio.

Novidades Tinta da China



Luís Trindade, Foi Você Que Pediu Uma História da Publicidade?
Edições Tinta da China

PUB (gratuita, é claro)



Leitura diária a partir deste pacato Cadeirão, o Spectrum vai comemorar quatro anos de existência. O Festão é no sábado, dia 18, a partir das 23 horas, na sede da ILGA (Rua de S. Lázaro, 88, em Lisboa). E apesar de alguma cacetada frequente nas caixas de comentários da casa, parece que está toda a gente convidada. É aparecer! Pode ser que assim se descubra que caras se escondem atrás daqueles nomes de guerra...

13 outubro 2008

Mário de Carvalho na Croácia e no Brasil

O livro Fantasia Para Dois Coronéis e Uma Piscina, de Mário de Carvalho, acaba de ser publicado na Croácia, com o título Fantazija Za Dva Pukovnika I Jedan Bazen e a chancela da Fraktura.



Do lado de lá do Atlântico, no Brasil, a Companhia das Letras publicou recentemente Era Uma Vez Um Alferes e Outras Histórias, que reúne três histórias publicadas em Portugal pela Editorial Caminho: "Os Alferes", "Casos do Beco das Sardinheiras" e "Quatrocentos Mil Sestércios".

Fora dos livros

E se o serviço público de televisão promovesse, em horário nobre, o monólogo paciente e pedagógico de um economista com inegáveis capacidades de eloquência capaz de elucidar pessoas pouco perspicazes no que aos mistérios melindrosos da economia diz respeito que, como eu, por mais que releiam os velhos manuais de história e um ou outro opúsculo de história económica, não conseguem perceber, de facto, de que se faz esta crise (percebendo, no entanto, ou pelo menos intuindo, que estamos aqui estamos todos bem lixados)?

Jorge Mateus e Luís Rainha, O Futuro Tem 100 Anos, Bizâncio



         Se fosse possível encetar um corte cirúrgico que revelasse o estado da arte da banda desenhada portuguesa contemporânea, a incisão revelaria duas tendências essenciais: por um lado, o diálogo com a produção contemporânea estrangeira, muito alicerçado na auto-edição, na experimentação em torno das possibilidades de uma linguagem e na atenção a outras formas artísticas, e por outro lado, a continuidade temática e estrutural de um filão com raízes no que por vezes se chama de ‘Idade de Ouro’ da bd portuguesa e que assenta numa ideia de diversão, quase sempre destinada a leitores mais novos, onde a gramática visual e narrativa se assume ora como de entretenimento, ora como pedagógica (porque se crê, erradamente, mais simples de entender do que um texto, por exemplo). Curiosamente, os resultados desta segunda tendência acabam por ter mais visibilidade editorial, muitas vezes graças aos apoios autárquicos ou empresariais que se associam a determinado projecto. É esse o caso deste O Futuro Tem 100 Anos, encomendado no âmbito das comemorações do centenário da CUF do Barreiro e destinado, segundo se lê na apresentação, “aos mais jovens”.
         Percebe-se o esforço na construção de um argumento coerente, que desvenda a história da CUF através da demanda de uma personagem em busca do seu passado, mas a imposição pedagógica acaba por impedir qualquer outro caminho, menos óbvio. As constantes analepses que permitem veicular fragmentos da história da CUF e da industrialização do Barreiro, bem como a linha narrativa que marca o presente da jovem protagonista (onde não falta o cliché de um baú perdido que vai revelar os segredos procurados, ou o comentário paternalista da personagem que diz “gosto de ver que ainda há jovens interessados pelo passado”) cumprem todos os requisitos para uma banda desenhada que só o é porque continua a sua linguagem a ser tida como o modo mais simples de pedagogia involuntária, pese embora o equilíbrio estético e narrativo de algumas pranchas e as soluções gráficas que, como nas vinhetas em que Alfredo da Silva (fundador da CUF) apresenta o plano de industrialização da cidade, deixam perceber o potencial criativo dos autores, já confirmado noutros projectos.

Sara Figueiredo Costa
(Texto publicado no suplemento Actual do jornal Expresso, 4 de outubro 08)

10 outubro 2008

Prémio Exame 2008

A edição de 2008 do Prémio Exame distinguiu a Porto Editora como a “Melhor Empresa na área da Edição, Informação e Artes Gráficas”.

Aviso à navegação

Este é um dos livros mais bonitos a passar pelas prateleiras das livrarias este ano:



A edição é da Orfeu Negro.

A arte da brevidade

No New York Times, o escritor Steven Millhauser disserta sobre a arte e as armadilhas do conto, terreno que conhece bem e de onde emergiu, há pouco, o livro Dangerous Laughter: Thirteen Stories, da sua autoria. Para ler aqui.


(ilustração de R. O. Blechman, certeira como sempre)

Prémios Pen Clube

Os prémios Pen Clube foram ontem anunciados. Na categoria de poesia, Helder Moura Preira, com Segredos do Reino Animal (Assírio & Alvim) e Daniel Jonas, com Sonótono (Cotovia), foram os autores distinguidos.
Na ficção, a escolha recaíu Jaime Rocha, com Anotação do Mal (Sextante).
No ensaio, os prémios foram atribuídos a José Vitorino de Pina Martins, com História de Livros para a História do Livro (Fundação Calouste Gulbenkian), e António M. Machado Pires, com Luz e Sombras no Século XIX em Portugal em Portugal (INCM).
O Pen Clube distingui ainda Francisco Camacho, por Niassa (Babilónia), e Maria Helena Santana, por Literatura e Ciência na Ficção do Século XIX (INCM), na categoria de primeira obra.

Fonte: Diário Digital

09 outubro 2008

O Nobel



E enquanto eu dormia, recuperando da noitada de trabalho que entrou pela madrugada, a Academia Sueca anunciou o nome de Jean-Marie Gustave Le Clézio. Nunca li nenhum livro de Le Clézio, por isso abstenho-me de comentários e vou tratar de escolher um para começar.
Sem mais nada para dizer, acho apenas que alguém devia dar um prémio a Eduardo Pitta: é que entre as apostas várias (e algumas tresloucadas) que por estes dias foram ocupando a blogosfera, foi ele que acertou na mouche. Também funciona para os números da sorte?

A British Library no ecrã

Ou pelo menos uma parte dela. A galeria on-line que a British Library abriu recentemente permite folhear algumas colecções que, de outro modo, só seriam acessíveis in loco e, mesmo assim, talvez não a qualquer leitor. E para além da disponibilização das obras, o site inclui comentários de especialistas, alguns deles curadores das exposições que a biblioteca acolhe regularmente, que ajudam a iluminar textos e manuscritos que a distância temporal ou cultural nem sempre torna imediatamente legíveis (é o caso das belíssimas espécies da colecção 'Sacred Texts', de que uma parte substancial esteve exposta ao público em 2007, e que inclui exemplares desde o século I da era cristã cuja apreciação ficaria muito aquém das expectativas sem os textos que se incluem no site). Se isto não é serviço público internacional, não sei o que possa ser.



(Páginas do Apocalipse de Silos, séc. XI/XII, que integrava a exposição 'Sacred Texts')

Machado de Assis visto pelos ingleses

No >Times Literary Supplement, Stephen Henighan escreve sobre Machado de Assis.

08 outubro 2008

Amanhã, dia cheio

O livro A Faca Não Corta o Fogo. Súmula & Inédita, de Herberto Hélder, chega às livrarias, com a chancela da Assírio & Alvim.



Ah, e ao fim da manhã, conheceremos o nome do Nobel da Literatura deste ano.

Leituras

No Guardian, Lauren Elkin escreve sobre literatura e identidade nacional. Para ler aqui e acompanhar a discussão que já vai assomando nos comentários.

Miguel Esteves Cardoso, Em Portugal Não Se Come Mal, Assírio & Alvim



         É sabido que a prosa de Miguel Esteves Cardoso há muito que devia constar dos manuais escolares e que não deve haver candidato a cronista que não alimente o sonho de um dia escrever como um epígono do mestre. Poder ler assim, de seguida, mais de setenta crónicas do autor sem a angústia de esperar pela semana seguinte é, por isso, um privilégio, muito para lá da importância documental. É egoísmo puro: não importa tanto se a edição em livro permite prolongar a existência dos textos, transformá-los no objecto devocional que os livros podem ser ou dar a conhecer o autor a mais leitores, eventualmente distraídos de jornais e revistas; o que importa realmente é que assim temos todas as crónicas na mão, sem esperas, sempre que quisermos.
         Alimentado pelas colaborações do autor no extinto DNA, este volume reúne as crónicas que MEC dedicou à comida (ou, como o próprio diria, ao ‘papinho’), e especificamente à comida portuguesa. Entre restaurantes, mercados e cozinhas caseiras, MEC elogia a qualidade dos produtos nacionais e o modo tradicional de os comer. O elogio não passa pelo nacionalismo que despreza a fruta espanhola, mas antes pela constatação de que ainda temos ingredientes verdadeiramente invejáveis de qualidade e frescura, sendo o modo mais simples e antigo de os consumir quase sempre o melhor. Não é que as maçãs espanholas sejam más, mas para quê perder tempo com elas se fomos abençoados com a doçura das maçãs ‘bravo esmolfe’ à porta de casa? E como se a sua palavra não bastasse, o autor deambula por descrições suculentas e pela partilha de conversas com verdadeiros conhecedores do tema – pescadores, peixeiras, merceeiros e outros – , que ajudam à confirmação: não é preciso gastar o ordenado mínimo num restaurante premiado ou embarcar num avião para Paris ou Roma; com pouco dinheiro e o conhecimento ancestral da época certa para cada produto (ou, em alternativa, com a ajuda dos vendedores dos mercados municipais, verdadeiros repositórios de segredos culinários), come-se muito bem por cá.

Sara Figueiredo Costa

(Texto publicado na revista Time Out nº53, 1 Outubro 2008)

07 outubro 2008

Nós, os Portugueses



A apresentação do novo livro de Maria Filomena Mónica, Nós, os Portugueses, está marcada para esta noite, pelas 22 horas, no Casino da Figueira. A edição é das Quasi e a apresentação estará a cargo de Domingos Amaral.

Prémio Conto Infantil Ilustrado

As Correntes d'Escritas e a Porto Editora apresentaram um novo prémio, inserido na programação daquele que é, certamente, o encontro literário mais animado do nosso país. Como se lê no comunicado de imprensa, o prémio destina-se a distinguir anualmente um conto ilustrado, inédito, em língua portuguesa, escrito por alunos que frequentem o 4º. ano de escolaridade do 1º. ciclo do ensino básico, supervisionados por um professor. A originalidade do galardão reside no facto de premiar trabalhos colectivos, uma vez que só serão admitidos a concurso contos infantis, com ilustrações, redigidos em grupo pelos alunos, com um mínimo de três páginas e um máximo de dez.
O regulamento pode ser consultado aqui e os trabalhos deverão ser entregues até ao próximo dia 15 de Dezembro.

Obscena

O número 15 da revista Obscena (revista de artes performativas) já está disponível on-line, e ainda por cima, gratuitamente. É ir até aqui e comprovar.

06 outubro 2008

Os livros ardem mal

A época reabre hoje, com Francisco José Viegas como convidado da primeira sessão e com o painel habitual a compor a mesa (António Apolinário Lourenço, Luís Quintais, Osvaldo Manuel Silvestre e Rui Bebiano). É às 18 Horas, no Café-Teatro do TAGV, em Coimbra.

Sítios para visitar antes de morrer

Há livros que acompanham melhor as viagens do que os guias, já se sabe, ainda que os guias dêem um certo jeito. Barcelona não teria sido a mesma coisa sem a Homenagem à Catalunha e Londres seria mais luminosa (mas muito menos interessante) sem Dickens, Sherlock Holmes ou a Bloomsbury de Woolf e companhia. E foi a pensar nisso que David Del Vecchio criou a Idlewild Books, em Manhattan. A história vem no New York Times (e a livraria, claro, já consta da lista dos sítios para visitar enquanto se pode).

(Aqui, numa página pessoal do Flickr, podem apreciar-se algumas imagens do local).

Eduardo Lourenço

Assinalando os 85 anos de vida de Eduardo Lourenço, começa daqui a nada, na Fundação Calouste Gulbenkian, o congresso dedicado à obra do autor. Organizado pelo Centro Nacional de Cultura, com a colaboração de várias universidades e o apoio da FCG, o colóquio decorre hoje e amanhã. O programa pode ser consultado aqui.

03 outubro 2008

Triste notícia



Dinis Machado (ou Dennis McShade) morreu hoje, aos 78 anos. E ainda ontem, a braços com a insónia, lhe tinha relido as palavras que escreveu para a Ler, em 1992, a propósito da Barateira:

"Império empírico de um rapaz destinado a pôr o Shakespeare na sombra (se ele tivesse a lata de me pedir meças), a Barateira faz parte da minha formação, esse curriculozito tão exíguo e obstinado. E pergunto-me: - Serias capaz de te reconhecer sem todos aqueles anos de prateleiras que levavas para casa, essa feira inconcebível de trocas e baldrocas? Acho que não, confesso."

(Ler, nº18, Primavera de 1992)

Ver notícia no Público On-Line.