Do lado de lá do Atlântico, no Brasil, a Companhia das Letras publicou recentemente Era Uma Vez Um Alferes e Outras Histórias, que reúne três histórias publicadas em Portugal pela Editorial Caminho: "Os Alferes", "Casos do Beco das Sardinheiras" e "Quatrocentos Mil Sestércios".
13 outubro 2008
Mário de Carvalho na Croácia e no Brasil
O livro Fantasia Para Dois Coronéis e Uma Piscina, de Mário de Carvalho, acaba de ser publicado na Croácia, com o título Fantazija Za Dva Pukovnika I Jedan Bazen e a chancela da Fraktura.

Do lado de lá do Atlântico, no Brasil, a Companhia das Letras publicou recentemente Era Uma Vez Um Alferes e Outras Histórias, que reúne três histórias publicadas em Portugal pela Editorial Caminho: "Os Alferes", "Casos do Beco das Sardinheiras" e "Quatrocentos Mil Sestércios".
Do lado de lá do Atlântico, no Brasil, a Companhia das Letras publicou recentemente Era Uma Vez Um Alferes e Outras Histórias, que reúne três histórias publicadas em Portugal pela Editorial Caminho: "Os Alferes", "Casos do Beco das Sardinheiras" e "Quatrocentos Mil Sestércios".
Fora dos livros
E se o serviço público de televisão promovesse, em horário nobre, o monólogo paciente e pedagógico de um economista com inegáveis capacidades de eloquência capaz de elucidar pessoas pouco perspicazes no que aos mistérios melindrosos da economia diz respeito que, como eu, por mais que releiam os velhos manuais de história e um ou outro opúsculo de história económica, não conseguem perceber, de facto, de que se faz esta crise (percebendo, no entanto, ou pelo menos intuindo, que estamos aqui estamos todos bem lixados)?
Jorge Mateus e Luís Rainha, O Futuro Tem 100 Anos, Bizâncio

Se fosse possível encetar um corte cirúrgico que revelasse o estado da arte da banda desenhada portuguesa contemporânea, a incisão revelaria duas tendências essenciais: por um lado, o diálogo com a produção contemporânea estrangeira, muito alicerçado na auto-edição, na experimentação em torno das possibilidades de uma linguagem e na atenção a outras formas artísticas, e por outro lado, a continuidade temática e estrutural de um filão com raízes no que por vezes se chama de ‘Idade de Ouro’ da bd portuguesa e que assenta numa ideia de diversão, quase sempre destinada a leitores mais novos, onde a gramática visual e narrativa se assume ora como de entretenimento, ora como pedagógica (porque se crê, erradamente, mais simples de entender do que um texto, por exemplo). Curiosamente, os resultados desta segunda tendência acabam por ter mais visibilidade editorial, muitas vezes graças aos apoios autárquicos ou empresariais que se associam a determinado projecto. É esse o caso deste O Futuro Tem 100 Anos, encomendado no âmbito das comemorações do centenário da CUF do Barreiro e destinado, segundo se lê na apresentação, “aos mais jovens”.
Percebe-se o esforço na construção de um argumento coerente, que desvenda a história da CUF através da demanda de uma personagem em busca do seu passado, mas a imposição pedagógica acaba por impedir qualquer outro caminho, menos óbvio. As constantes analepses que permitem veicular fragmentos da história da CUF e da industrialização do Barreiro, bem como a linha narrativa que marca o presente da jovem protagonista (onde não falta o cliché de um baú perdido que vai revelar os segredos procurados, ou o comentário paternalista da personagem que diz “gosto de ver que ainda há jovens interessados pelo passado”) cumprem todos os requisitos para uma banda desenhada que só o é porque continua a sua linguagem a ser tida como o modo mais simples de pedagogia involuntária, pese embora o equilíbrio estético e narrativo de algumas pranchas e as soluções gráficas que, como nas vinhetas em que Alfredo da Silva (fundador da CUF) apresenta o plano de industrialização da cidade, deixam perceber o potencial criativo dos autores, já confirmado noutros projectos.
Sara Figueiredo Costa
(Texto publicado no suplemento Actual do jornal Expresso, 4 de outubro 08)
10 outubro 2008
Prémio Exame 2008
A edição de 2008 do Prémio Exame distinguiu a Porto Editora como a “Melhor Empresa na área da Edição, Informação e Artes Gráficas”.
Aviso à navegação
Este é um dos livros mais bonitos a passar pelas prateleiras das livrarias este ano:

A edição é da Orfeu Negro.

A edição é da Orfeu Negro.
A arte da brevidade
No New York Times, o escritor Steven Millhauser disserta sobre a arte e as armadilhas do conto, terreno que conhece bem e de onde emergiu, há pouco, o livro Dangerous Laughter: Thirteen Stories, da sua autoria. Para ler aqui.

(ilustração de R. O. Blechman, certeira como sempre)

(ilustração de R. O. Blechman, certeira como sempre)
Prémios Pen Clube
Os prémios Pen Clube foram ontem anunciados. Na categoria de poesia, Helder Moura Preira, com Segredos do Reino Animal (Assírio & Alvim) e Daniel Jonas, com Sonótono (Cotovia), foram os autores distinguidos.
Na ficção, a escolha recaíu Jaime Rocha, com Anotação do Mal (Sextante).
No ensaio, os prémios foram atribuídos a José Vitorino de Pina Martins, com História de Livros para a História do Livro (Fundação Calouste Gulbenkian), e António M. Machado Pires, com Luz e Sombras no Século XIX em Portugal em Portugal (INCM).
O Pen Clube distingui ainda Francisco Camacho, por Niassa (Babilónia), e Maria Helena Santana, por Literatura e Ciência na Ficção do Século XIX (INCM), na categoria de primeira obra.
Fonte: Diário Digital
Na ficção, a escolha recaíu Jaime Rocha, com Anotação do Mal (Sextante).
No ensaio, os prémios foram atribuídos a José Vitorino de Pina Martins, com História de Livros para a História do Livro (Fundação Calouste Gulbenkian), e António M. Machado Pires, com Luz e Sombras no Século XIX em Portugal em Portugal (INCM).
O Pen Clube distingui ainda Francisco Camacho, por Niassa (Babilónia), e Maria Helena Santana, por Literatura e Ciência na Ficção do Século XIX (INCM), na categoria de primeira obra.
Fonte: Diário Digital
09 outubro 2008
O Nobel

E enquanto eu dormia, recuperando da noitada de trabalho que entrou pela madrugada, a Academia Sueca anunciou o nome de Jean-Marie Gustave Le Clézio. Nunca li nenhum livro de Le Clézio, por isso abstenho-me de comentários e vou tratar de escolher um para começar.
Sem mais nada para dizer, acho apenas que alguém devia dar um prémio a Eduardo Pitta: é que entre as apostas várias (e algumas tresloucadas) que por estes dias foram ocupando a blogosfera, foi ele que acertou na mouche. Também funciona para os números da sorte?
A British Library no ecrã
Ou pelo menos uma parte dela. A galeria on-line que a British Library abriu recentemente permite folhear algumas colecções que, de outro modo, só seriam acessíveis in loco e, mesmo assim, talvez não a qualquer leitor. E para além da disponibilização das obras, o site inclui comentários de especialistas, alguns deles curadores das exposições que a biblioteca acolhe regularmente, que ajudam a iluminar textos e manuscritos que a distância temporal ou cultural nem sempre torna imediatamente legíveis (é o caso das belíssimas espécies da colecção 'Sacred Texts', de que uma parte substancial esteve exposta ao público em 2007, e que inclui exemplares desde o século I da era cristã cuja apreciação ficaria muito aquém das expectativas sem os textos que se incluem no site). Se isto não é serviço público internacional, não sei o que possa ser.

(Páginas do Apocalipse de Silos, séc. XI/XII, que integrava a exposição 'Sacred Texts')

(Páginas do Apocalipse de Silos, séc. XI/XII, que integrava a exposição 'Sacred Texts')
Machado de Assis visto pelos ingleses
No >Times Literary Supplement, Stephen Henighan escreve sobre Machado de Assis.
08 outubro 2008
Amanhã, dia cheio
O livro A Faca Não Corta o Fogo. Súmula & Inédita, de Herberto Hélder, chega às livrarias, com a chancela da Assírio & Alvim.

Ah, e ao fim da manhã, conheceremos o nome do Nobel da Literatura deste ano.

Ah, e ao fim da manhã, conheceremos o nome do Nobel da Literatura deste ano.
Miguel Esteves Cardoso, Em Portugal Não Se Come Mal, Assírio & Alvim

É sabido que a prosa de Miguel Esteves Cardoso há muito que devia constar dos manuais escolares e que não deve haver candidato a cronista que não alimente o sonho de um dia escrever como um epígono do mestre. Poder ler assim, de seguida, mais de setenta crónicas do autor sem a angústia de esperar pela semana seguinte é, por isso, um privilégio, muito para lá da importância documental. É egoísmo puro: não importa tanto se a edição em livro permite prolongar a existência dos textos, transformá-los no objecto devocional que os livros podem ser ou dar a conhecer o autor a mais leitores, eventualmente distraídos de jornais e revistas; o que importa realmente é que assim temos todas as crónicas na mão, sem esperas, sempre que quisermos.
Alimentado pelas colaborações do autor no extinto DNA, este volume reúne as crónicas que MEC dedicou à comida (ou, como o próprio diria, ao ‘papinho’), e especificamente à comida portuguesa. Entre restaurantes, mercados e cozinhas caseiras, MEC elogia a qualidade dos produtos nacionais e o modo tradicional de os comer. O elogio não passa pelo nacionalismo que despreza a fruta espanhola, mas antes pela constatação de que ainda temos ingredientes verdadeiramente invejáveis de qualidade e frescura, sendo o modo mais simples e antigo de os consumir quase sempre o melhor. Não é que as maçãs espanholas sejam más, mas para quê perder tempo com elas se fomos abençoados com a doçura das maçãs ‘bravo esmolfe’ à porta de casa? E como se a sua palavra não bastasse, o autor deambula por descrições suculentas e pela partilha de conversas com verdadeiros conhecedores do tema – pescadores, peixeiras, merceeiros e outros – , que ajudam à confirmação: não é preciso gastar o ordenado mínimo num restaurante premiado ou embarcar num avião para Paris ou Roma; com pouco dinheiro e o conhecimento ancestral da época certa para cada produto (ou, em alternativa, com a ajuda dos vendedores dos mercados municipais, verdadeiros repositórios de segredos culinários), come-se muito bem por cá.
Sara Figueiredo Costa
(Texto publicado na revista Time Out nº53, 1 Outubro 2008)
07 outubro 2008
Nós, os Portugueses

A apresentação do novo livro de Maria Filomena Mónica, Nós, os Portugueses, está marcada para esta noite, pelas 22 horas, no Casino da Figueira. A edição é das Quasi e a apresentação estará a cargo de Domingos Amaral.
Prémio Conto Infantil Ilustrado
As Correntes d'Escritas e a Porto Editora apresentaram um novo prémio, inserido na programação daquele que é, certamente, o encontro literário mais animado do nosso país. Como se lê no comunicado de imprensa, o prémio destina-se a distinguir anualmente um conto ilustrado, inédito, em língua portuguesa, escrito por alunos que frequentem o 4º. ano de escolaridade do 1º. ciclo do ensino básico, supervisionados por um professor. A originalidade do galardão reside no facto de premiar trabalhos colectivos, uma vez que só serão admitidos a concurso contos infantis, com ilustrações, redigidos em grupo pelos alunos, com um mínimo de três páginas e um máximo de dez.
O regulamento pode ser consultado aqui e os trabalhos deverão ser entregues até ao próximo dia 15 de Dezembro.
O regulamento pode ser consultado aqui e os trabalhos deverão ser entregues até ao próximo dia 15 de Dezembro.
06 outubro 2008
Os livros ardem mal
A época reabre hoje, com Francisco José Viegas como convidado da primeira sessão e com o painel habitual a compor a mesa (António Apolinário Lourenço, Luís Quintais, Osvaldo Manuel Silvestre e Rui Bebiano). É às 18 Horas, no Café-Teatro do TAGV, em Coimbra.
Sítios para visitar antes de morrer
Há livros que acompanham melhor as viagens do que os guias, já se sabe, ainda que os guias dêem um certo jeito. Barcelona não teria sido a mesma coisa sem a Homenagem à Catalunha e Londres seria mais luminosa (mas muito menos interessante) sem Dickens, Sherlock Holmes ou a Bloomsbury de Woolf e companhia. E foi a pensar nisso que David Del Vecchio criou a Idlewild Books, em Manhattan. A história vem no New York Times (e a livraria, claro, já consta da lista dos sítios para visitar enquanto se pode).
(Aqui, numa página pessoal do Flickr, podem apreciar-se algumas imagens do local).
(Aqui, numa página pessoal do Flickr, podem apreciar-se algumas imagens do local).
Etiquetas:
Sítios para visitar antes de morrer
Eduardo Lourenço
Assinalando os 85 anos de vida de Eduardo Lourenço, começa daqui a nada, na Fundação Calouste Gulbenkian, o congresso dedicado à obra do autor. Organizado pelo Centro Nacional de Cultura, com a colaboração de várias universidades e o apoio da FCG, o colóquio decorre hoje e amanhã. O programa pode ser consultado aqui.
Etiquetas:
Agenda,
Autores,
Eduardo Lourenço
03 outubro 2008
Triste notícia

Dinis Machado (ou Dennis McShade) morreu hoje, aos 78 anos. E ainda ontem, a braços com a insónia, lhe tinha relido as palavras que escreveu para a Ler, em 1992, a propósito da Barateira:
"Império empírico de um rapaz destinado a pôr o Shakespeare na sombra (se ele tivesse a lata de me pedir meças), a Barateira faz parte da minha formação, esse curriculozito tão exíguo e obstinado. E pergunto-me: - Serias capaz de te reconhecer sem todos aqueles anos de prateleiras que levavas para casa, essa feira inconcebível de trocas e baldrocas? Acho que não, confesso."
(Ler, nº18, Primavera de 1992)
Ver notícia no Público On-Line.
Etiquetas:
Autores,
Dennis McShade,
Dinis Machado
Livros para crianças
A partir da sua colecção de livros 'infantis', a Newberry Library programou uma exposição onde se podem ver exemplares desde o século XV até aos dias de hoje. Há livros de paragens diversas, em várias línguas, e alguns tesouros bibliográficos como a primeira edição ilustrada das Fábulas, de Esopo (1485) ou a primeira edição de Alice's Adventures in Wonderland, de Lewis Carroll (1865).

Mongolian ABC book (imagem retirada do site da biblioteca)
Intitulada Artifacts of Childhood: 700 Years of Children's Books, a exposição estará aberta ao público até ao dia 17 de Janeiro de 2009. A única coisa triste é a Newberry Library ficar em Chicago (e o Cadeirão Voltaire não dispor de pecúlio - o que eu queria escrever isto! - para ir até lá e contar como foi).

Mongolian ABC book (imagem retirada do site da biblioteca)
Intitulada Artifacts of Childhood: 700 Years of Children's Books, a exposição estará aberta ao público até ao dia 17 de Janeiro de 2009. A única coisa triste é a Newberry Library ficar em Chicago (e o Cadeirão Voltaire não dispor de pecúlio - o que eu queria escrever isto! - para ir até lá e contar como foi).
Etiquetas:
Exposições,
Livro 'infantil'
02 outubro 2008
José Cardoso Pires
Assinalando os dez anos da morte de José Cardoso Pires (que faria hoje 83 anos), a Câmara Municipal de Lisboa preparou um programa cultural que decorrerá até ao próximo mês. Hoje, pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa, 'Os Amigos Recordam José Cardoso Pires' juntará António Lobo Antunes e Júlio Pomar, com moderação de Inês Pedrosa.
Mais adiante haverá exposições, um ciclo de conferências, cinema e documentários. Programação completa aqui.
Mais adiante haverá exposições, um ciclo de conferências, cinema e documentários. Programação completa aqui.
Etiquetas:
Autores,
José Cardoso Pires
Sublinhados XX
"Ficámos frente a frente, à luz do meio dia. Eu, senhor escritor da comarca de Portugal, e portanto animal tolerado, à margem, e ela, ser humilde, português, que habita ruínas da História; que cumpre uma existência entre pedras e sol, e se resigna (é espantoso); que é, ela própria, um fragmento de pedra gerado na pedra - um resto afinal, uma sobra; que se alimenta de nada (de quê?) e é rápida no despertar, e sagaz, e ladina, embora votada ao isolamento de uma memória do Império; que não tm voz, ou a perdeu, ou não se ouve..."
José Cardoso Pires, O Delfim (Dom Quixote, 18ªedição, p.81)
José Cardoso Pires, O Delfim (Dom Quixote, 18ªedição, p.81)
Fórum Fantástico 2008
Começa hoje e prolonga-se até ao próximo Domingo, no auditório da Faculdade de Belas Artes de Lisboa.
Às 18h30, debate-se o futuro do livro: “Existe ainda futuro no verbo ler?”, uma discussão sobre o futuro dos livros a nível tecnológico, terá moderação de Luís Filipe Silva e participação de Nuno Seabra Lopes, José Mário Silva, Pedro Marques e Paulo Ribeiro.
A programação completa está aqui.
Às 18h30, debate-se o futuro do livro: “Existe ainda futuro no verbo ler?”, uma discussão sobre o futuro dos livros a nível tecnológico, terá moderação de Luís Filipe Silva e participação de Nuno Seabra Lopes, José Mário Silva, Pedro Marques e Paulo Ribeiro.
A programação completa está aqui.
01 outubro 2008
Leya e o livro escolar
A outra notícia do Público a chamar a atenção no que aos livros diz respeito é a do atraso da entrega dos manuais escolares das editoras do grupo Leya, que não é bem uma notícia, mas sim a continuação de um estado de coisas que se arrasta desde Agosto. Já estamos no início de Outubro e muitos alunos (nalguns casos, turmas inteiras) continuam sem livros essenciais, os professores começam a não saber o que fazer, os pais pressionam as livrarias e os livreiros tentam ter, sem grande sucesso, respostas da Leya.
Luís Filipe Cristóvão já tinha dado conta da situação em Agosto e Setembro, lamentando a falta de condições no armazém da Leya, a ausência de previsões sobre a data de disponibilização de vários livros do grupo no mercado e da ineficácia do atendimento, quer para venda, quer para esclarecimentos. Agora, o Público traça um panorama mais amplo, mostrando que o caos se instalou em escolas e livrarias de norte a sul. Para quem queria construir um grupo sólido, profissional e eficiente, a Leya não se tem saído nada bem.
Luís Filipe Cristóvão já tinha dado conta da situação em Agosto e Setembro, lamentando a falta de condições no armazém da Leya, a ausência de previsões sobre a data de disponibilização de vários livros do grupo no mercado e da ineficácia do atendimento, quer para venda, quer para esclarecimentos. Agora, o Público traça um panorama mais amplo, mostrando que o caos se instalou em escolas e livrarias de norte a sul. Para quem queria construir um grupo sólido, profissional e eficiente, a Leya não se tem saído nada bem.
Fnac e os 10%
Trabalhar madrugada fora tem destes inconvenientes: só agora, às duas da tarde, é que o Público me chega às mãos e, com ele, a notícia de que o desconto de 10% que ajudou a fazer da FNAC o gigante que é hoje vai passar a ser um privilégio dos detentores do cartão FNAC. Sobre isso, o Jorge Reis-Sá escreve no seu blog, bem como o Paulo Ferreira nos Blogtailors. À pergunta final deste último (“Se eu não tiver um cartão FNAC, que motivo temos para continuar a ir lá comprar livros?”), respondo com um óbvio ‘Nenhum!’. Aquilo que a FNAC parecia ser no início da sua instalação em Portugal, uma livraria com programação cultural, oferta diversificada, com novidades de todos os quadrantes, mas também com fundos sólidos, tem vindo a desaparecer aos poucos e há já alguns anos que o único motivo pelo qual valia a pena lá ir era mesmo o do desconto, ainda que às vezes isso pesasse um bocado na consciência de quem desconfia que os 10% a menos no preço seriam retirados do lucro da editora (peso que se combatia muito bem comprando apenas livros de editoras maiores e reservando a compra de livros da & etc, Antígona, Averno, Fenda, Quasi e outras para espaços mais amigos da edição). Isso e a hipótese de acumular pontos que podem ser trocados por cheques, o que em algumas alturas do mês se torna realmente simpático, permitindo a compra daquele livro que pensávamos não poder comprar tão cedo, a troco de nada. Agora a situação vai manter-se, bastando para isso aderir ao cartão. Deve ser isso que significa ‘levar o negócio dos livros a sério’, ‘crescer’ e ‘fidelizar a clientela’. Se isso vai fazer com que as vendas desçam e o público procure outros espaços ou se vai levar a um aumento exponencial do número de aderentes do cartão Fnac, ainda não se sabe. Mas que isso altere alguma coisa naquilo que tem sido a politica da loja, não me parece. Desde a abertura da loja do Chiado (a que conheço melhor) que as pequenas mudanças foram acompanhando uma degradação paulatina daquilo que podia ser um espaço de livros agradável. A redução, lenta mas substancial, dos fundos e de algumas secções em particular (a banda desenhada é um bom exemplo, mas haverá outros), a rotatividade acelerada das novidades, muitas vezes associada à desaparição rápida dos livros que há um mês estavam em destaque, a oferta cada vez mais concentrada nas edições que se encontram em qualquer sítio (acabando com aquilo que poderia diferenciar a loja de outros grandes espaços comerciais livreiros) e a constante mudança de espaços, de que o ‘encafuamento’ da secção infantil no antigo corredor de leitura, com pouco espaço para leitores e menos ainda para carrinhos de bebé, é o exemplo mais recente, mas ao qual se poderia juntar o desaparecimento misterioso dos sofás de leitura que marcavam, no início, a identidade da loja, são exemplos dessa degradação. Por entre tudo isto, e aceitando a lógica de mercado (da qual parece que não há fuga possível), o facto de o desconto de 10% passar a estar disponível apenas para os portadores do cartão nem parece a coisa mais grave. Não é assim que se fidelizam clientes no palavreado e na estratégia dos senhores do marketing?
Tirar os livros proibidos da estante e lê-los todos de uma assentada!
Estamos em plena 'Banned Books Week', o modo que a a American Library Asociation encontrou de assinalar a importância da liberdade de expressão e pensamento, defendendo o direito dos cidadãos a acederem a qualquer livro. Ou, nas palavras dos organizadores, "BBW celebrates the freedom to choose or the freedom to express one’s opinion even if that opinion might be considered unorthodox or unpopular and stresses the importance of ensuring the availability of those unorthodox or unpopular viewpoints to all who wish to read them. After all, intellectual freedom can exist only where these two essential conditions are met."
O Banned Books Read Out!, em Chicago, que juntou vários autores que já viram os seus livros serem candidatos a uma 'desaparição involuntária' das estantes das bibliotecas, já aconteceu, mas a programação segue noutras cidades, bem como no Second Life.
O Guardian, associando-se ao evento da American Library Association, dedica o seu quizz mais recente ao tema.
(A imagem lá de cima foi retirada daqui)
James Fitzgerald, O Prazer de Fumar Cigarros, Guerra & Paz

Em anos tão higiénicos e moralizadores como estes que vivemos, publicar um livro intitulado O Prazer de Fumar Cigarros não deve ser tarefa que se abrace de ânimo leve... Mas sosseguem as mentes mais preocupadas com as más influências em letra de forma: logo no prefácio, James Fitzgerald deixa bem claro que fumar é um mau hábito e que ele próprio já tentou libertar-se dele. Pacificados os defensores dos pulmões alheios, siga-se adiante, acompanhando a relação do autor com os cigarros e partilhando da sua vastíssima informação sobre o vício mais estético do mundo (e esta não é uma opinião absoluta, estou ciente). Com um sentido de humor pleno de inteligência, capaz de rir dos outros e de si próprio, Fitzgerald agrupa dados sobre a presença do tabaco na publicidade ou no cinema com fait-divers de toda a espécie, incluindo fumadores famosos e perfis sócio-profissionais dos consumidores de marcas americanas tão populares como a Camel ou a Chesterfield. Assim, mais do que um elogio do tabaco, o autor traça um retrato antropologicamente muito interessante sobre a relação dos norte-americanos com os cigarros, apresentando histórias e fragmentos que surgem como um contributo valioso para melhor compreender a história quotidiana de uma das grandes potências do século XX. Com segurança, o leitor pode descobrir a origem de alguns ícones americanos, como o o homem do uniforme vermelho e preto, da Philip Morris, aprender a reconhecer gestos típicos de um fumador, descobrir como se enrolam cigarros ou acompanhar o processo que transformou os cigarros em serial-killers depois de anos de glória cinematográfica e glamour. E também pode rir-se um pouco com a ironia dos capítulos que propõem programas de dez dias para começar a fumar ou poses com o cigarro em função da imagem que o fumador quer transmitir aos outros. Tudo isto sem o menor impulso de acender um cigarro (a não ser que seja fumador, e aí o livro tem pouca influência). E nem foi preciso colocar um aviso na capa do livro.
Sara Figueiredo Costa
(Texto publicado na revista Time Out nº52, 24 Setembro 2008)
O Jardim Assombrado
Assim se chama o blog que a Carla Maia de Almeida acaba de inaugurar. Segue para os links.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

