
Mesmo sem saber nada de checo, a imagem redime o apagamento do alfarrabista da Karlova e não é difícil reunir alguns álbuns ilustrados, um livro de culinária com ilustrações da velha escola e um volume dos anos 40 que será, pelas partículas morfológicas que consigo identificar no título, uma história da literatura checa. Nunca se sabe se um dia vou saber lê-lo e, além disso, o livro é muito bonito. Sem saber muito bem onde pagar os livros escolhidos, desço as escadas que se seguem à única porta aberta no pátio e deparo-me com uma cave de chão de pedra e estantes até ao tecto. O cheiro a pó não engana e a minha pulsação também não: um relance sobre aquela versão organizada do caos confirma que ali há livros sobre muitos temas, mesmo que eu não consiga ler a maior parte deles. Cumprimentando o alfarrabista, pergunto-lhe pela ilustração checa, em particular a infantil, um dos motivos da minha demanda bibliográfica em terras de Praga, e logo três estantes indicadas com simpatia se oferecem à minha cobiça. Josef Lada, Josef Capek e um álbum dos anos 40 ilustrado por Jaroslav Vodrazka, que não conhecia, juntaram-se aos livros dos caixotes. Agora faltava apenas descobrir como encaixar tantos volumes na mala de viagem, e lutar contra a angústia de alguém a perder entre porões e carrinhos de carga.












