Durante os próximos dias, o Cadeirão Voltaire fica arrumado a um canto, devidamente coberto com um lençol branco por causa do pó.
Na última semana de Agosto, o regresso está garantido. Até lá, o mais certo é não haver nada para ler por estas bandas.
02 agosto 2008
01 agosto 2008
A biblioteca no quiosque
Ainda não tinha falado dela aqui, o que é injusto, mas falo agora: a pequena biblioteca que o Diário de Notícias está a oferecer às 2º, 4º, 6º, Sábados e Domingos é da responsabilidade das Quasi e constitui motivo mais do que suficiente para voltar a comprar o DN, pelo menos por estes dias. Hoje é dia de O Ingénuo, de Voltaire, amanhã sairá A Morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstoi e, no Domingo, A Peste Escarlate, de Jack London.
31 julho 2008
Sublinhados XVIII
" LITERATURA
Nunca faltarão sucedâneos que façam funcionar a indústria da edição e mantenham o consumo. Mas, quanto mais longe se for, mais evidente se tornará que os problemas e os divertimentos da época se situam noutros planos.
É preciso assinalar desde já os falsificadores que hão-de tentar conquistar a celebridade voltando a servir, num quadro puramente literário, as emoções novas que certas associações de acontecimentos podem criar. É o caso do Sr. Julien Gracq ao redigir bonitas narrativas que têm por tema uma atmosfera e as suas diversas componentes: recusar o Prémio Goncourt não quer dizer nada, o que é preciso é não o merecer."
Potlach 1954-1957: O Boletim da Internacional Letrista (Fenda, selecção e prefácio de Leonel Moura, tradução de Miguel Serras Pereira, p.144)
Nunca faltarão sucedâneos que façam funcionar a indústria da edição e mantenham o consumo. Mas, quanto mais longe se for, mais evidente se tornará que os problemas e os divertimentos da época se situam noutros planos.
É preciso assinalar desde já os falsificadores que hão-de tentar conquistar a celebridade voltando a servir, num quadro puramente literário, as emoções novas que certas associações de acontecimentos podem criar. É o caso do Sr. Julien Gracq ao redigir bonitas narrativas que têm por tema uma atmosfera e as suas diversas componentes: recusar o Prémio Goncourt não quer dizer nada, o que é preciso é não o merecer."
Potlach 1954-1957: O Boletim da Internacional Letrista (Fenda, selecção e prefácio de Leonel Moura, tradução de Miguel Serras Pereira, p.144)
30 julho 2008
George Orwell, Porque Escrevo e Outros Ensaios, Antigona

Para além da obra literária que o tornou conhecido, George Orwell assinou inúmeros ensaios. O volume que a Antígona agora publica resulta de uma selecção feita por Desidério Murcho a partir de uma outra, maior, que o crítico inglês John Carey preparou para a Everyman's Library.
Orwell reflecte sobre temas diversos, mas a linguagem e o seu uso acabam por ser o eixo comum aos ensaios agora traduzidos. Em “A Política e a Língua Inglesa”, um texto que preserva toda a actualidade, o autor aponta as ligações intrínsecas entre a manipulação da linguagem e a política, citando exemplos concretos de como se podem produzir enunciados sem conteúdo para justificar as maiores atrocidades («(...) o discurso e a escrita política são em grande medida a defesa do indefensável.» p.39). “Por Que Escrevo” permite uma aproximação ao programa literário do autor, mas esclarece igualmente o seu interesse pela verdade e a crença no compromisso político de quem escreve. E em “O Leão e o Unicórnio”, talvez o mais citado ensaio de Orwell, a crítica à passividade inglesa durante o avanço de Hitler convive com a crítica aos intelectuais de esquerda que apoiam o comunismo soviético como solução para todos os males. Orwell, que lutou ao lado dos republicanos na Guerra Civil de Espanha, defende um sistema económico de matriz socialista, mas em momento algum se demite de pensar a realidade convocando todos os dados, e não apenas os que poderiam justificar o que defende. Para lá da literatura, eis a sua maior herança.
Sara Figueiredo Costa
(Texto publicado na revista Time Out, nº43, 23-29 Jul 08)
29 julho 2008
Livros no ecrã
No Guardian, os pontos de vista de dois escritores (Peter Conrad e Naomi Alderman) sobre a leitura de e-books.
28 julho 2008
The Last Theorem
Assim se intitula a derradeira obra de Arthur C. Clarke, assinada em parceria com Frederik Pohl, e cujas primeiras páginas o Telegraph publica, em exclusivo, aqui.
27 julho 2008
De regresso
Três dias de descanso e poucas notícias. António Lobo Antunes recebeu o Prémio Camões 2007 e João Ubaldo Ribeiro foi o escritor distinguido na edição de 2008. A preguiça foi tanta que ainda tenho para ler o artigo sobre o e-reading (ou qualquer outra coisa que lhe queiram chamar), no Expresso, e parte considerável da secção de livros do Ípsilon. E o dolce fare niente acaba-se agora, que a semana que vem vai ser de muito trabalho.
24 julho 2008
Fugir à crise
Até ao fim deste mês e durante todo o mês de Agosto, a livraria da Assírio & Alvim (Rua Passos Manuel, 67 b, em Lisboa) oferece descontos assinaláveis nas edições da casa. É aproveitar.
Efeito Borboleta, parte II
22 julho 2008
Palavras Andarilhas
Estão abertas as inscrições para a décima edição das Palavras Andarilhas, o encontro mundial de contadores de histórias organizado pela Biblioteca Municipal de Beja.

Programa completo e inscrições, aqui.

Programa completo e inscrições, aqui.
Teste
Por cá, costumam encher os suplementos de Verão, ocupando as páginas que a dita 'silly season' deixa sem assunto, mas os jornais ingleses gostam deles durante todo o ano: no Guardian, um 'quizz' sobre a cidade de Londres e as suas ligações à literatura, para testar conhecimentos ou aguçar a vontade de aterrar por lá.
21 julho 2008
Leituras
Na Literary Review, um artigo de Philip Davis sobre o potencial dos textos de Sakespeare para o bom funcionamento do cérebro humano.
A caminho

Santa Cruz, de Luís Filipe Cristóvão e Ozias Filho (edição Livrododia), é apresentado no próximo dia 2 de Agosto.
18 julho 2008
XXI Semana Negra de Gijón
Há um ano, com as costas doridas da travessia ibérica sobre carris, andava por Gijón, falando sobre banda desenhada portuguesa contemporânea. Foi assim que descobri que na SN se fala de quase tudo, por mais exótico que pareça, desde que alguém se interesse pelo tema e se lembre de organizar uma mesa, um debate ou uma conferência. Assim, no dia em que apresentei um panorama sobre o que de mais interessante se faz por cá em termos de banda desenhada, houve quem falasse sobre o povo do Sahara, as aventuras de capa e espada ou as novidades da ficção científica na edição espanhola. É mesmo assim, a SN, variada, informal, calorosa e sempre muito participada.

(SN 2007)
Mas é o romance policial que continua a dominar em Gijón e, segundo o Diário Digital, os prémios Dashiell Hammett deste ano já foram atribuídos: Juan Ramón Biedma, com El imán y la brújula e Leonardo Oyola, com Chamamé venceram a categoria de ficção; Sanjuana Martínez, com Prueba de la fe, la red de cardenales y obispos en la pederastia clerical, venceu a categoria de não-ficção.
Quem quiser acompanhar o dia a dia da Semana Negra pode descarregar os A Quemarropa diários no site oficial. Não é a mesma coisa que recebê-los todos os dias à chegada ao recinto da SN, entre um café gelado, um flã caseiro (que saudades...) e um par de horas de boa conversa com quem estiver na esplanada, mas sempre dá uma ideia do que se passa por Gijón.
(SN 2007)
Mas é o romance policial que continua a dominar em Gijón e, segundo o Diário Digital, os prémios Dashiell Hammett deste ano já foram atribuídos: Juan Ramón Biedma, com El imán y la brújula e Leonardo Oyola, com Chamamé venceram a categoria de ficção; Sanjuana Martínez, com Prueba de la fe, la red de cardenales y obispos en la pederastia clerical, venceu a categoria de não-ficção.
Quem quiser acompanhar o dia a dia da Semana Negra pode descarregar os A Quemarropa diários no site oficial. Não é a mesma coisa que recebê-los todos os dias à chegada ao recinto da SN, entre um café gelado, um flã caseiro (que saudades...) e um par de horas de boa conversa com quem estiver na esplanada, mas sempre dá uma ideia do que se passa por Gijón.
Leonard Cohen
O concerto do mestre é mais logo. No Ípsilon de hoje definem-se posições: Cohen ou Reed? Aqui no Cadeirão folheiam-se os poemas, acabados de editar pela mão das Quasi.

Leonard Cohen, Livro do Desejo (Edições Quasi, trad. Vasco Gato)

Leonard Cohen, Livro do Desejo (Edições Quasi, trad. Vasco Gato)
17 julho 2008
Fundação Saramago na Casa dos Bicos
Depois de alguns dias de conversações, é hoje assinado um acordo entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Fundação José Saramago que cede a esta última o espaço da Casa dos Bicos, em Lisboa (ver Público on-line de hoje). O edifício do século XVI passará assim a albergar a biblioteca da Fundação, dispondo de espaços para exposições e colóquios, bem como de uma loja.
Sublinhados XVII
"O anjo estava calado. O silêncio estendeu-se por tanto tempo que eu me esqueci da sua presença.
Quando voltou a falar, assustei-me.
- O que estás a pensar é sacrilégio - disse ele.
- Sabes bem que não servirá de nada e que não voltarás a ver essa rapariga. Sabes bem que ninguém pode entrar no coração de outra pessoa e unir-se a ela, nem sequer por um breve momento. Mesmo a tua mãe deu-te apenas um corpo. e quando começaste a respirar, não foi ar que inspiraste, mas solidão."
Annemarie Schwarzenbach, Morte na Pérsia (Tinta da China, trad. de Isabel Castro Silva, p.128)
Quando voltou a falar, assustei-me.
- O que estás a pensar é sacrilégio - disse ele.
- Sabes bem que não servirá de nada e que não voltarás a ver essa rapariga. Sabes bem que ninguém pode entrar no coração de outra pessoa e unir-se a ela, nem sequer por um breve momento. Mesmo a tua mãe deu-te apenas um corpo. e quando começaste a respirar, não foi ar que inspiraste, mas solidão."
Annemarie Schwarzenbach, Morte na Pérsia (Tinta da China, trad. de Isabel Castro Silva, p.128)
A inevitável silly season
No New York Times escreve-se sobre um tema caro a uma parte considerável das editoras e à imprensa cultural que não sabe o que fazer durante o Verão, entre a escassez de lançamentos e a pouca disponibilidade mental dos leitores (mesmo os que poderiam estar a treler a Recherche... em qualquer questionário, de Verão, claro): os 'livros de praia'. Para ler aqui.
16 julho 2008
Dario Fo, O Amor e o Escárnio, Gradiva

A obra teatral de Dario Fo tem raízes fortes na cultura popular e na transmissão oral de histórias que, passando por muitas gerações, encontram sempre o seu ponto de reflexo na actualidade. Os textos que compõem este volume são disso um bom exemplo, com remissões que, da Grécia Antiga à China Imperial, passando pelas figuras de Heloísa e Abelardo em plena Idade Média europeia, resgatam um património narrativo que tem tanto de história como de lenda. É no equilíbrio de ambas que o narrador de cada conto vai edificando a sua reflexão sobre o mundo.
Os paralelos possíveis com a actualidade, e com a Itália de Fo – que é a mesma de Berlusconi – são muitos, mas será mais lúcido compreender esses paralelos à luz da natureza humana e da sua história, porque a corrupção, o crime disfarçado de poder e os amores proibidos não são exactamente um exclusivo contemporâneo e o que as histórias de Dario Fo relatam possui a dimensão universal das alegorias, servindo de igual modo aos muitos séculos atravessados. Apesar disso, o registo de Fo nem sempre é bem sucedido formalmente, havendo momentos em que a narrativa se perde na necessidade de uma interacção com o leitor e na encenação de diálogos entre personagens que não se resolvem da melhor maneira na estrutura dos contos.
Uma nota final para a enorme incongruência narrativa da primeira história, que faz com que Heloísa tenha vivido mais de um século, de acordo com os dados que são fornecidos ao leitor. Se o erro é do autor, da revisão literária ou da tradução, ficamos sem saber.
Sara Figueiredo Costa
(Texto publicado na revista Time Out, nº41, 09-15 Jul 08
14 julho 2008
Benjamin e a literatura francesa
Na New Left Review do mês passado (só agora dei com ela...) publica-se o resultado da pesquisa e as impressões Walter Benjamin sobre a produção literária francesa, em 1940. Quem quiser guardar para ler mais tarde, pode descarregar a versão em PDF.
12 julho 2008
Leituras de fim-de-semana
No Babelia, Manuel Vicent escreve sobre Josep Pla e Carolina Ethel assina uma reportagem sobre os novos cronistas da América Latina.
No Guardian, Ian McEwan escreve sobre a sua história familiar.
No Guardian, Ian McEwan escreve sobre a sua história familiar.
11 julho 2008
A Metamorfose das plantas dos Pés
O segundo livro de poesia de Catarina Nunes de Almeida, A Metamorfose das Plantas dos Pés, será apresentado hoje, pelas 18h30, na Livraria Index, no Porto (junto ao Palácio de Cristal). Na próxima sexta-feira, dia 18, a apresentação decorre em Lisboa, na Fnac do Colombo, às 21h30. A edição é da Deriva.
10 julho 2008
Maiores de..., o debate continua
Em Inglaterra, o debate em torno da idade das leituras infanto-juvenis prossegue e os oponentes da colocação de uma idade recomendada num sítio visível da capa ou da contracapa dos livros parecem estar a levar a melhor. Para acompanhar aqui.
Pelos escaparates
Se todos os romances juvenis mais ou menos fantásticos apresentados com uma cinta que proclama 'o novo Harry Potter' fossem mesmo 'o novo Harry Potter' havia muito escritor sem saber onde guardar os milhões.
09 julho 2008
Thomas Bailey Aldrich, A História de Um Rapaz Mau, Tinta da China

Dizem as biografias que Mark Twain assumiu publicamente a influência que este livro teve na criação do seu Tom Sawyer, e só não é tremendamente injusto começar por esse facto porque ele pode ajudar a confirmar a importância do trabalho de Thomas Bailey Aldrich, um nome menos sonante que o de Twain, mas cuja leitura mostra bem o quanto a literatura americana deve a este Rapaz Mau.
Publicada pela primeira vez em 1869, já Aldrich se contava entre os escritores reconhecidos da América, A História de Um Rapaz Mau narra os anos da infância de Tom Bailey, alter-ego assumidamente autobiográfico do seu autor, passados na fictícia localidade de Riversmouth. Deixando para trás a Nova Orleães da primeira infância, Tom vai viver com o avô paterno para a enorme casa de família, entregando-se a todas as descobertas que a vida numa pequena cidade, a liberdade concedida por um avô atento mas compreensivo e uma incontrolável tendência para o disparate lhe proporcionam. E onde se esperaria uma aventura juvenil para gáudio dos pequenos leitores de há mais de um século, Aldrich ergue uma notável reflexão sobre a infância, alicerçada na voz de um narrador já adulto que, recordando o seu passado, escreve sobre a ilusão, a consciência do mundo e a inexorabilidade do tempo. A idade adulta do narrador e o modo, tão nostálgico como desencantado, com que olha para a sua infância fazem deste um livro de memórias, muito mais do que um volume de aventuras juvenis, transformando a infância num tempo literário que guarda uma parte importante do que seremos sempre, mas também o momento inevitável em que abdicamos de tudo o que achávamos que permaneceria.
Que A História de Um Rapaz Mau é um dos clássicos da literatura norte-americana, diz-nos a história literária e confirma-nos a sua leitura; que a edição portuguesa nos tenha chegado, tão cuidada, pela Tinta da China, na belíssima colecção dos livrinhos de lombada vermelha, só pode contribuir para perpetuar a obra de Aldrich para as próximas gerações.
Sara Figueiredo Costa
(Texto publicado na revista Time Out, nº40, 02-08 Jul 08)
08 julho 2008
Homenagem a Jorge de Sena
Prosseguindo o seu programa de actividades, a Fundação José Saramago organiza, na quinta-feira, uma sessão de homenagem a Jorge de Sena. A sessão decorrerá no Teatro de São Carlos, em Lisboa, com início às 21h30.
Programa
- Leitura de poemas por Jorge Vaz de Carvalho
- Recital de piano por António Rosado
- Leitura de depoimento de Mécia de Sena
- Intervenções de Eduardo Lourenço, Vítor Aguiar e Silva,
Jorge Fazenda Lourenço, António Mega Ferreira
e José Saramago
- Encerrará a sessão o Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro
Entrada livre, condicionada pela lotação da sala
Programa
- Leitura de poemas por Jorge Vaz de Carvalho
- Recital de piano por António Rosado
- Leitura de depoimento de Mécia de Sena
- Intervenções de Eduardo Lourenço, Vítor Aguiar e Silva,
Jorge Fazenda Lourenço, António Mega Ferreira
e José Saramago
- Encerrará a sessão o Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro
Entrada livre, condicionada pela lotação da sala
O Catálogo de Manuel Alberto Valente
A Porto Editora apresentou hoje à imprensa a sua nova divisão editorial, chamada Divisão Editorial Literária de Lisboa (DELL), que será da responsabilidade de Manuel Alberto Valente.
Em quase três décadas de trabalho editorial, Manuel Alberto Valente passou pela Dom Quixote (entre 1981 e 1991) e pelas Edições Asa, onde construiu um catálogo sólido e coerente, até estas terem sido compradas pelo grupo Leya e o editor ter decidido sair. Livre de compromissos, Manuel Alberto Valente anunciou há alguns meses (em entrevista ao Público) que estava determinado a prosseguir o seu labor editorial e que poderia fazê-lo a título individual, como aconteceu com outros editores que saíram das grandes casas editoriais, ou inserido num projecto mais amplo, desde que lhe fossem dadas condições de autonomia. A Porto Editora viu nestas declarações uma oportunidade imperdível e passou a contar com um dos editores de referência deste país na sua casa.
Pelo que foi dito na apresentação da DELL, o editor terá toda a autonomia para construir o seu catálogo, bem como as condições necessárias para o fazer prosseguir. E outra atitude não seria de esperar: quem conta com Manuel Alberto Valente como editor, sabe que não precisa de preocupar-se com os resultados do seu trabalho.
Não tenho quota no mercado, nem gosto de todos os livros que Manuel Alberto Valente já editou. Mas é fácil, olhando para as últimas décadas da edição portuguesa, ver que o seu trabalho foi sempre feito no rigoroso equilíbrio entre a qualidade, a inovação e a estratégia de mercado, e tudo indica que essa postura vai ter continuidade na nova divisão da Porto Editora.
A partir de Setembro, os primeiros livros começarão a chegar às livrarias. A Lâmpada de Aladino, de Luis Sepúlveda (um livro de contos), As Esquinas do Tempo, de Rosa Lobato Faria (romance), Feminino Singular, de Sveva Casati Modignani (romance), Instruções Para Salvar o Mundo, de Rosa Montero (romance), O Priorado de Cifrão, de João Aguiar (uma paródia em torno de O Código Da Vinci, cujas primeiras linhas prometem...) e O Silêncio dos Outros, de Lydya Gouardo (testemunho, inserido na nova chancela que integrará a DELL, a Pelicano). Anunciou-se também o futuro romance de Artur Pérez-Reverte. Muitos nomes da Asa? Certamente. E Manuel Alberto Valente comentou o facto ainda antes de algum jornalista perguntar, dizendo que o trabalho editorial resulta muitas vezes em sólidas relações entre autor e editor, não sendo de admirar que o autor queira acompanhar o seu editor independentemente da chancela onde este trabalha. Faz sentido. Sobretudo quando o editor faz o seu trabalho a sério, não se limitando a escolher livros e a gerir o deve e o haver da casa.
Dos títulos apresentados, poucos me causam entusiasmo pessoal, e não quero deixar de dizê-lo. Mas olhando para eles, e ouvindo o editor falar das perspectivas futuras, é fácil perceber que da DELL virá a nascer um grande catálogo, sólido a vários níveis (o do mercado, claro, não há como fugir dele querendo ter uma editora grande e lucrativa, mas também o da qualidade e o da actualidade literária nacional e internacional) e capaz de se afirmar por entre a torrente que todos os dias inunda as livrarias. A partir de Setembro, cá estaremos para o começar a confirmar.
Em quase três décadas de trabalho editorial, Manuel Alberto Valente passou pela Dom Quixote (entre 1981 e 1991) e pelas Edições Asa, onde construiu um catálogo sólido e coerente, até estas terem sido compradas pelo grupo Leya e o editor ter decidido sair. Livre de compromissos, Manuel Alberto Valente anunciou há alguns meses (em entrevista ao Público) que estava determinado a prosseguir o seu labor editorial e que poderia fazê-lo a título individual, como aconteceu com outros editores que saíram das grandes casas editoriais, ou inserido num projecto mais amplo, desde que lhe fossem dadas condições de autonomia. A Porto Editora viu nestas declarações uma oportunidade imperdível e passou a contar com um dos editores de referência deste país na sua casa.
Pelo que foi dito na apresentação da DELL, o editor terá toda a autonomia para construir o seu catálogo, bem como as condições necessárias para o fazer prosseguir. E outra atitude não seria de esperar: quem conta com Manuel Alberto Valente como editor, sabe que não precisa de preocupar-se com os resultados do seu trabalho.
Não tenho quota no mercado, nem gosto de todos os livros que Manuel Alberto Valente já editou. Mas é fácil, olhando para as últimas décadas da edição portuguesa, ver que o seu trabalho foi sempre feito no rigoroso equilíbrio entre a qualidade, a inovação e a estratégia de mercado, e tudo indica que essa postura vai ter continuidade na nova divisão da Porto Editora.
A partir de Setembro, os primeiros livros começarão a chegar às livrarias. A Lâmpada de Aladino, de Luis Sepúlveda (um livro de contos), As Esquinas do Tempo, de Rosa Lobato Faria (romance), Feminino Singular, de Sveva Casati Modignani (romance), Instruções Para Salvar o Mundo, de Rosa Montero (romance), O Priorado de Cifrão, de João Aguiar (uma paródia em torno de O Código Da Vinci, cujas primeiras linhas prometem...) e O Silêncio dos Outros, de Lydya Gouardo (testemunho, inserido na nova chancela que integrará a DELL, a Pelicano). Anunciou-se também o futuro romance de Artur Pérez-Reverte. Muitos nomes da Asa? Certamente. E Manuel Alberto Valente comentou o facto ainda antes de algum jornalista perguntar, dizendo que o trabalho editorial resulta muitas vezes em sólidas relações entre autor e editor, não sendo de admirar que o autor queira acompanhar o seu editor independentemente da chancela onde este trabalha. Faz sentido. Sobretudo quando o editor faz o seu trabalho a sério, não se limitando a escolher livros e a gerir o deve e o haver da casa.
Dos títulos apresentados, poucos me causam entusiasmo pessoal, e não quero deixar de dizê-lo. Mas olhando para eles, e ouvindo o editor falar das perspectivas futuras, é fácil perceber que da DELL virá a nascer um grande catálogo, sólido a vários níveis (o do mercado, claro, não há como fugir dele querendo ter uma editora grande e lucrativa, mas também o da qualidade e o da actualidade literária nacional e internacional) e capaz de se afirmar por entre a torrente que todos os dias inunda as livrarias. A partir de Setembro, cá estaremos para o começar a confirmar.
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