15 junho 2008

Padre António Vieira

Na terça-feira, dia 17, entre as 18 e as 20 horas, a Livraria Almedina do Saldanha recebe um encontro em torno da vida e da obra do Padre António Vieira, com a participação de Miguel Real, José Eduardo Franco, Manuel J. Gandra e Paulo Borges.



(o rabisco, está bem à vista, é do Pedro Vieira)

Feira do Livro de Lisboa

Abre daqui a nada, às 15 horas, e às 23 horas encerra de vez. Dizem que para o ano nada será como antes e que este foi o último ano em que vimos as tradicionais barraquinhas coloridas no Parque Eduardo VII.

13 junho 2008

120 anos



Ilustração de Pedro Vieira, aka, Irmão Lúcia (concebida para a montra da Livraria Almedina do Saldanha)

" Que de Infernos e Purgatórios e Paraísos tenho em mim - e quem me conhece um gesto discordando da vida... a mim tão calmo e plácido?

Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."

Do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares.
Frag. 443, edição de Richard Zenith para a Assírio & Alvim, p.378

12 junho 2008

Fundação José Saramago

O blog da Fundação José Saramago acaba de estrear-se aqui. A primeira entrada anuncia o debate entre José Saramago e María Kodama sobre Jorge Luís Borges, marcado para o próximo dia 20, na Biblioteca Nacional (pelas 18h30). Daqui para a frente, a Fundação José Saramago irá dando conta das suas actividades e das notícias relativas ao escritor neste novo espaço, a entrar directamente para a barra dos links.

Pecadilhos IV (e ainda por cima, a dobrar)

Bem sei que não ligar nenhuma à selecção nacional (e isto apesar do muito que gosto de ver futebol) não me traz muitas amizades em alturas de euforia patrioteiro-futebolística como esta, e que persistir na leitura atenta e veneradora dos textos de João Pereira Coutinho só serve para intrigar as amizades que já tenho, sobretudo desde que deixei de persistir em tais leituras às escondidas, mas façam-me um favor e leiam o que o homem escreveu a propósito de Cristiano Ronaldo, e depois vejam lá se ainda conseguem pensar que nos jornais não se escreve bem e com estilo.

Nota: É bom sinal que se façam segundas edições, revistas e aumentadas, dos livros... Mas, e quem comprou a primeira e agora sabe que há extras na segunda, não se sente um bocadinho enganado?



Mesmo assim, sentindo-me um bocadinho enganada, não posso deixar de aconselhar uma passagem pelo pavilhão das Quasi nas Feiras do Livro. Este volume já por lá deve andar e os euros são mais do que justificados.

A Grande Obra

A morte de alguns dos maiores filósofos da humanidade, de Heráclito a Foucault, pode bem ter sido a sua obra mais grandiosa, ou pelo menos é essa a ideia de The Book of Dead Philosophers, de Simon Critchley, de que o Guardian fala aqui.

11 junho 2008

Novidades Cotovia



Adrienne Rich, Uma Paciência Selvagem
Daniel Jonas, Nenhures

Livros Cotovia

À conversa com os livreiros

O resultado das conversas do ilustrador Leanne Shapton com os livreiros de algumas das suas livrarias favoritas podem ser vistos/lidos no New York Times (o link não é directo, mas basta procurarem a imagem e o título "Shop Talk" na primeira página).

09 junho 2008

Sublinhados XVI

"Este é um problema dos tempos que correm. O grande ódio contra os alemães, que me envenena a alma. 'Eles que se afoguem, essa ralé, deveriam ser todos fumigados.' Estas observações fazem parte da conversa do dia-a-dia e às vezes provocam-nos a sensação de que é impossível viver nesta época. Até que de repente, há umas semanas, me surgiu a ideia libertadora, hesitante e frágil como um rebento de relva que começa a nascer num terreno bravio rodeado de ervas daninhas: mesmo que só houvesse um alemão digno de ser protegido contra essa chusma bárbara, por causa desse alemão decente não se devia derramar o ódio sobre um povo inteiro.

Isso não significa que uma pessoa deva ter uma atitude indecisa em relação a determinadas correntes, uma pessoa toma posição, indigna-se regularmente com determinadas coisas, tenta informar-se, mas o ódio indiferenciado é a pior coisa que existe."

Etty Hillesum, Diário 1941-1943 (Assírio & Alvim, trad. de Maria LEonor Raven-Gomes, p.69)

08 junho 2008

Livros ao peito



Na Feira do Livro de Lisboa, no stand da Assírio & Alvim, há pins com imagens dos autores e dos livros do catálogo da editora.

Pullman e a idade dos leitores

No seguimento do debate em torno da idade aconselhada para cada livro, Philip Pullman assina um texto onde expõe a sua opinião sobre o tema.

06 junho 2008

Já lá cantam!

Negócio fechado: como noticiam os Blogtailors, a aquisição das editoras Oficina do Livro, Estrela Polar, Sebenta e Teorema pela Leya já está concluída. Veremos se a coisa pára por aqui.

Sugestão, a propósito: quem quiser comprar os livros mais antigos do catálogo da Teorema a preços mais convidativos, é aproveitar a Feira deste ano. Para o ano, se o modelo da Praça Leya se repetir, talvez já lá não estejam...

Vários tipos de 'clássicos'

Sem querer entrar na discussão sobre o que é um 'clássico' a esta hora da manhã, deixo as aspas para todas as ressalvas e apresento algumas sugestões de livros do dia de hoje, na Feira do Livro de Lisboa.
Na Cavalo de Ferro, o Orlando Furioso, de Ludovico Ariosto, estará à venda a 32 euros. O investimento é grande, mas o desconto é assinalável. Na Biblioteca Independente, o livro do dia é de Suetónio, Os Doze Césares. Na Quasi, A Minha Mulher, de Anton Tchekov. Na Antígona, A Filosofia na Alcova, do Marquês de Sade. Na Tinta da China, A História de um Rapaz Mau, de Thomas Bailey Aldrich. E na Assírio & Alvim, os Poemas, de Almada Negreiros.

Do silêncio, esse bem tão precioso

O Cadeirão ganhou a companhia de um sofá novo, e entre os inevitáveis parafusos, acabou por não haver tempo para as actualizações de ontem. Agora era só conseguir que os vizinhos do 5ºandar se solidarizassem com a dificuldade de ler ao som estridente da Rita Lee e de um cd manhoso compilando música clássica e o 'Barcelona', cantado pelo Freddie Mercury e a Montserrat Caballé...

04 junho 2008

Ana Luísa Amaral

Com o livro Entre Dois Rios e Outras Noites (Campo das Letras), Ana Luísa Amaral venceu o Grande Prémio de Poesia da APE.

Maiores de...

Em Inglaterra, o mundo editorial vive em agitação desde a semana passada. Os editores preparam-se para colocar nas capas dos livros destinados ao público infantil a informação sobre a faixa etária para a qual cada livro se recomenda (hábito esporádico na edição portuguesa) e vários autores acreditam que isso será uma medida contraproducente (os argumentos podem conhecr-se aqui). O debate está lançado na imprensa e em algumas publicações da especialidade, como a Boookseller, e promete ter continuação nos próximos dias, nomeadamente com a contribuição de Philip Pullman.

03 junho 2008

Sublinhados XV

"Nascemos para o que nos rodeia vezes sem conta. Em cada renascimento há um estendal de coisas novas à nossa disposição que produzem a nossa vida. E outras coisas tomam inédita postura ou fingem escondimento e sorvem da nossa vida. São os nomes que nos ligam às coisas. E toda a vida aprofundamos, ampliamos, compreendemos, explicamos essa estranha e familiar ligação, nunca concluída, com o nome que envolve cada coisa, 'o espantoso nome que damos às coisas'. E com o tempo percebemos que a literatura é um habilidoso e multifacetado artefacto que toma os nomes e, a partir deles, conduz ao mais íntimo coração das respectivas coisas."

Manuel Hermínio Monteiro, "Uma Rara Magia", in Ler, nº13, Inverno 1991

02 junho 2008

Prémios de Edição

Os Prémios de Edição Booktailors/Ler foram anunciados na passada quinta-feira, na Casa Fernando Pessoa, e já têm regulamento disponível. Para ver aqui.

Agora sim, a nova Ler



Hoje de manhã, lá estava ela, guardada pela Dona Teresa. Mas como o dia foi de trabalhos, as leituras têm de ficar para amanhã.

Paperback Dreams

Apresentado há dois dias na Book Expo America, o documentário televisivo Paperback Dreams debruça-se sobre o universo das livrarias independentes e os problemas com que estas têm de lidar para se manterem. Os protagonistas são Andy Ross, dono da Cody’s Books (em Berkeley), e Clark Kepler, dono da Kepler’s Books (na Califórnia, mas actualmente encerrada), e o documentário acompanha-os ao longo de dois anos, cruzando entrevistas com várias pessoas ligadas aos livros e a outras áreas culturais.
No site do filme podem conhecer-se outros pormenores, bem como assistir a um pequeno trailer de apresentação (já no site da RTP podem enviar-se e-mails, solicitando a transmissão do documentário na televisão portuguesa... não custa tentar).

01 junho 2008

Ler

Estaria nas bancas ontem, mas nenhuma papelaria ou livraria de Campo de Ourique a tinha. Hoje, idem. Já lhe conheço o índice, excertos de alguns artigos e a capa, mas a revista propriamente dita, nem vê-la. A distribuidora não gosta do bairro de Pessoa, ou o problema é geral?

30 maio 2008

Biblioteca Independente

Estão a chegar às livrarias os dez novos volumes da Biblioteca Independente, projecto que nasceu da parceria entre a Assírio & Alvim, a Cotovia e a Relógio d'Água e que tem vindo a reunir, em formato bolso, títulos e autores essenciais de qualquer biblioteca e alguns títulos escolhidos de entre os catálogos das três editoras.



Ovídio, A Arte de Amar
Marco Polo, Viagens
Marco Aurélio, Pensamentos
Homero, Odisseia
Fiódor Dostoiévski, Noites Brancas
Epicuro, Carta Sobre a Felicidade e Séneca, Da Vida Feliz
Bertold Brecht, Terror e Miséria do Terceiro Reich
Ana Teresa Pereira, O Fim de Lizzie
António Maria Lisboa, Poesia
Honoré de Balzac, Sarrasine

Livros em Desassossego

Esta é uma das vantagens de voltar a ser free-lancer: regressar dos debates tardios dos Livros em Desassossego e poder alinhar algumas ideias, sem a preocupação de ter de acordar cedo amanhã.

Com a sala da Casa Fernando Pessoa composta, anunciava-se um debate aceso e foi isso que se viu. Descrever todas as intervenções seria um processo longo, mas resumindo, pode dizer-se que o entendimento entre APEL e UEP que já se configurava antes da Feira do Livro parece manter-se como uma possibilidade viável. Claro que isto poderá parecer estranho se tivermos em conta os argumentos discutidos e o calor com que se apresentaram, mas a ideia geral parece ser essa. Antes, porém, será preciso arrumar ambas as casas e, talvez, enterrar alguns diferendos, também entre membros de cada associação.

Sobre a concentração editorial e o modo como esta afecta o associativismo, algumas questões se levantaram. Por exemplo, se os associados são editoras (e não pessoas individuais ou grupos empresariais), que lugar terão os grupos? Inscrevem as editoras e fazem-nas votar em bloco? Altera-se esse princípio e os associados podem ser editoras ou grupos? E têm um só voto ou tantos como as editoras que os constituem?

A Feira do Livro de Lisboa também foi tema de conversa, claro. E entre argumentos gerais e discussões privadas, não ficou muito claro o que se passou. Afinal, a Leya não esteve nas reuniões com a CML. Esteve Isaías Gomes Teixeira como vice-presidente da UEP (mas se os membros são editoras e não grupos, por enquanto, Isaías representa que editora na UEP?). Afinal, a APEL comprometeu-se a aceitar novos stands e depois recuou. E a CML entregou a organização da Feira à APEL, mas tê-lo-á feito com a condição de esta aceitar outros pavilhões. Que pavilhões? Todos os que pudessem ter surgido? Os da Leya em particular? Ficou a saber-se ainda que até Novembro, a APEL terá de apresentar uma reformulação dos pavilhões da Feira, numa proposta que será depois discutida por todos os editores. Pavilhões iguais para todos ou diferenciados conforme o dinheiro e a vontade de cada editor? Ainda não se sabe, mas parece que é este ano a última oportunidade de se verem as famosas barraquinhas coloridas no Parque.

Um dos temas levantados merecia debate futuro e merece, certamente, reflexão atenta: o problema da colocação dos livros nas livrarias. Porque a concentração livreira que já existe e a que ainda aí há-de vir, bem como a ‘promiscuidade’ esperada entre grupos editoriais e grupos livreiros, colocarão questões aos editores (bem como aos leitores) que não serão sentidas da mesma forma pelos grandes grupos ou pelas pequenas editoras. E aí, por mais nichos que a concentração editorial possa permitir (um dos olhares optimistas sobre o tema defende essa perspectiva), se não houver forma de mostrar os livros nos locais onde eles se vendem, não há nicho que sobreviva.

Uma nota final para as escolhas de Osvaldo Manuel Silvestre, da Angelus Novus, que levou os três livros que não se importava de ter editado. Os livros foram o Diário 1941-1943, de Etty Hillesum (Assírio & Alvim), O Homem Sem Qualidades, de Robert Musil (Dom Quixote) e o fabuloso O Mundo Num Segundo, de Isabel Minhos Martins e Bernardo Carvalho (Planeta Tangerina), livro que me deu particular satisfação ver escolhido pelo facto de raramente se falar de livros ilustrados e pensados, sobretudo, para um público mais jovem neste tipo de debates, e também porque ainda ontem escrevi sobre ele aqui e, ainda que, obviamente, isso nada tenha a ver com a escolha de Osvaldo Manuel Silvestre, uma pessoa fica ‘vaidosa’ com estas coincidências.

E agora vou continuar a gozar o privilégio de não ter horários (mas há prazos, oh, se há!) e vou voltar às Histórias de Amor, de Robert Walser, editado pela Relógio d'Água.

29 maio 2008

Para a barra

A Assírio & Alvim chegou à blogoesfera. São boas notícias e um excelente pretexto para actualizar a barra dos links.

Angelus Novus

No pavilhão (ou banca, ou stand, ou barraca, como preferirem...) 125 da Feira do Livro de Lisboa encontra-se a Letra Livre. E entre todas as boas recomendações, que incluem livros da & Etc e da Averno, livros da própria Letra Livre e muitas preciosidades bibliográficas, há livros da Angelus Novus, que para além de editar bem, também fez um filme promocional que vale a pena ver.

Bisbilhotando a estante alheia

No blog de livros do Guardian, Hermione Buckland-Hoby escreve sobre a tendência crescente de partilhar leituras na internet, através de alguns sites que permitem a criação de estantes virtuais e a sua disponibilização a outros internautas. Para ler aqui e descobrir as vantagens, muito para além da óbvia bisbilhotice.

Escolhas

Hoje, às 18h30, quem estiver em Lisboa tem à disposição uma espécie de programa duplo. Na Fundação Luso-Americana, o ciclo Asas Sobre a América prossegue com uma conferência de Lídia Jorge sobre William Faulkner. Na Feira do Livro, o Orfeu Negro e a revista Obscena debatem a edição de livros sobre teatro e dança em Portugal.

28 maio 2008

My name is Faulks

Os puristas não ficarão agradados, mas James Bond regressa aos livros, pela mão de Sebastian Faulks. Devil May Care, a mais recente aventura do agente 007, é publicada hoje no Reino Unido, como pode ler-se aqui, ou aqui, coincidindo com o centenário do nascimento de Ian Fleming, seu autor original.
O filme é que ainda não tem data, mas deve estar aí a rebentar...

Editores em desassossego

A sessão deste mês dos Livros em Desassossego será dedicada aos diferentes pontos de vista entre editores e respectivas associações. Assim, a Casa Fernando Pessoa recebe, amanhã, pelas 21h30, Carlos da Veiga Ferreira, presidente da UEP, Rui Beja, apontado como candidato à liderança da APEL nas eleições a realizar em breve, Tito Lyon de Castro, editor das Publicações Europa-América, e Osvaldo Manuel Silvestre, o editor da chancela Angelus Novus, que escolherá três livros saídos recentemente e que gostaria de ter podido editar.
A entrada, como sempre, é livre.

27 maio 2008

A Matemática das Coisas

Hoje à tarde, às 17h30, quem estiver por Lisboa pode assistir à apresentação do livro A Matemática das Coisas, de Nuno Crato (Gradiva), na Feira do Livro.



Eu já o li e garanto que mesmo quem não se dava muito bem com equações de segundo grau ficará versado (ligeiramente, é certo) em temas tão aparentemete inacessíveis - e com nomes tão sonoros que parecem, só por si, misteriosos - como a sucessão de Fibonacci, o número de ouro ou a tira de Mobius. E temas mais prosaicos, como atacadores de sapatos ou fatias de bolo rei, também revelam a sua beleza, tranfsormando o quotidiano numa espécie de palco científico que não deixará ninguém voltar a usar a faca de cozinha com a mesma indiferença. Sobretudo, para além do muito que se aprende, os temas matemáticos surgem sempre em relação com o mundo que os rodeia, que lhes dá contexto ou que os origina, e isso abre caminho para uma forma muito diferente de olhar para a matemática. Seria muito fácil perder-mo-nos ao ler um texto onde se explica a geometria do pentagrama, as relações entre os seus ângulos e os seus vértices e a possibilidade de construir novos pentagramas a partir do inicial; mas se essa geometria for abordada, como neste livro, partindo da relação com o homem de Vitrúvio, o tema torna-se muito mais interessante e os esforços para acompanhar raciocínios nem sempre acessíveis ao leitor vêem-se recompensados.