30 maio 2008

Biblioteca Independente

Estão a chegar às livrarias os dez novos volumes da Biblioteca Independente, projecto que nasceu da parceria entre a Assírio & Alvim, a Cotovia e a Relógio d'Água e que tem vindo a reunir, em formato bolso, títulos e autores essenciais de qualquer biblioteca e alguns títulos escolhidos de entre os catálogos das três editoras.



Ovídio, A Arte de Amar
Marco Polo, Viagens
Marco Aurélio, Pensamentos
Homero, Odisseia
Fiódor Dostoiévski, Noites Brancas
Epicuro, Carta Sobre a Felicidade e Séneca, Da Vida Feliz
Bertold Brecht, Terror e Miséria do Terceiro Reich
Ana Teresa Pereira, O Fim de Lizzie
António Maria Lisboa, Poesia
Honoré de Balzac, Sarrasine

Livros em Desassossego

Esta é uma das vantagens de voltar a ser free-lancer: regressar dos debates tardios dos Livros em Desassossego e poder alinhar algumas ideias, sem a preocupação de ter de acordar cedo amanhã.

Com a sala da Casa Fernando Pessoa composta, anunciava-se um debate aceso e foi isso que se viu. Descrever todas as intervenções seria um processo longo, mas resumindo, pode dizer-se que o entendimento entre APEL e UEP que já se configurava antes da Feira do Livro parece manter-se como uma possibilidade viável. Claro que isto poderá parecer estranho se tivermos em conta os argumentos discutidos e o calor com que se apresentaram, mas a ideia geral parece ser essa. Antes, porém, será preciso arrumar ambas as casas e, talvez, enterrar alguns diferendos, também entre membros de cada associação.

Sobre a concentração editorial e o modo como esta afecta o associativismo, algumas questões se levantaram. Por exemplo, se os associados são editoras (e não pessoas individuais ou grupos empresariais), que lugar terão os grupos? Inscrevem as editoras e fazem-nas votar em bloco? Altera-se esse princípio e os associados podem ser editoras ou grupos? E têm um só voto ou tantos como as editoras que os constituem?

A Feira do Livro de Lisboa também foi tema de conversa, claro. E entre argumentos gerais e discussões privadas, não ficou muito claro o que se passou. Afinal, a Leya não esteve nas reuniões com a CML. Esteve Isaías Gomes Teixeira como vice-presidente da UEP (mas se os membros são editoras e não grupos, por enquanto, Isaías representa que editora na UEP?). Afinal, a APEL comprometeu-se a aceitar novos stands e depois recuou. E a CML entregou a organização da Feira à APEL, mas tê-lo-á feito com a condição de esta aceitar outros pavilhões. Que pavilhões? Todos os que pudessem ter surgido? Os da Leya em particular? Ficou a saber-se ainda que até Novembro, a APEL terá de apresentar uma reformulação dos pavilhões da Feira, numa proposta que será depois discutida por todos os editores. Pavilhões iguais para todos ou diferenciados conforme o dinheiro e a vontade de cada editor? Ainda não se sabe, mas parece que é este ano a última oportunidade de se verem as famosas barraquinhas coloridas no Parque.

Um dos temas levantados merecia debate futuro e merece, certamente, reflexão atenta: o problema da colocação dos livros nas livrarias. Porque a concentração livreira que já existe e a que ainda aí há-de vir, bem como a ‘promiscuidade’ esperada entre grupos editoriais e grupos livreiros, colocarão questões aos editores (bem como aos leitores) que não serão sentidas da mesma forma pelos grandes grupos ou pelas pequenas editoras. E aí, por mais nichos que a concentração editorial possa permitir (um dos olhares optimistas sobre o tema defende essa perspectiva), se não houver forma de mostrar os livros nos locais onde eles se vendem, não há nicho que sobreviva.

Uma nota final para as escolhas de Osvaldo Manuel Silvestre, da Angelus Novus, que levou os três livros que não se importava de ter editado. Os livros foram o Diário 1941-1943, de Etty Hillesum (Assírio & Alvim), O Homem Sem Qualidades, de Robert Musil (Dom Quixote) e o fabuloso O Mundo Num Segundo, de Isabel Minhos Martins e Bernardo Carvalho (Planeta Tangerina), livro que me deu particular satisfação ver escolhido pelo facto de raramente se falar de livros ilustrados e pensados, sobretudo, para um público mais jovem neste tipo de debates, e também porque ainda ontem escrevi sobre ele aqui e, ainda que, obviamente, isso nada tenha a ver com a escolha de Osvaldo Manuel Silvestre, uma pessoa fica ‘vaidosa’ com estas coincidências.

E agora vou continuar a gozar o privilégio de não ter horários (mas há prazos, oh, se há!) e vou voltar às Histórias de Amor, de Robert Walser, editado pela Relógio d'Água.

29 maio 2008

Para a barra

A Assírio & Alvim chegou à blogoesfera. São boas notícias e um excelente pretexto para actualizar a barra dos links.

Angelus Novus

No pavilhão (ou banca, ou stand, ou barraca, como preferirem...) 125 da Feira do Livro de Lisboa encontra-se a Letra Livre. E entre todas as boas recomendações, que incluem livros da & Etc e da Averno, livros da própria Letra Livre e muitas preciosidades bibliográficas, há livros da Angelus Novus, que para além de editar bem, também fez um filme promocional que vale a pena ver.

Bisbilhotando a estante alheia

No blog de livros do Guardian, Hermione Buckland-Hoby escreve sobre a tendência crescente de partilhar leituras na internet, através de alguns sites que permitem a criação de estantes virtuais e a sua disponibilização a outros internautas. Para ler aqui e descobrir as vantagens, muito para além da óbvia bisbilhotice.

Escolhas

Hoje, às 18h30, quem estiver em Lisboa tem à disposição uma espécie de programa duplo. Na Fundação Luso-Americana, o ciclo Asas Sobre a América prossegue com uma conferência de Lídia Jorge sobre William Faulkner. Na Feira do Livro, o Orfeu Negro e a revista Obscena debatem a edição de livros sobre teatro e dança em Portugal.

28 maio 2008

My name is Faulks

Os puristas não ficarão agradados, mas James Bond regressa aos livros, pela mão de Sebastian Faulks. Devil May Care, a mais recente aventura do agente 007, é publicada hoje no Reino Unido, como pode ler-se aqui, ou aqui, coincidindo com o centenário do nascimento de Ian Fleming, seu autor original.
O filme é que ainda não tem data, mas deve estar aí a rebentar...

Editores em desassossego

A sessão deste mês dos Livros em Desassossego será dedicada aos diferentes pontos de vista entre editores e respectivas associações. Assim, a Casa Fernando Pessoa recebe, amanhã, pelas 21h30, Carlos da Veiga Ferreira, presidente da UEP, Rui Beja, apontado como candidato à liderança da APEL nas eleições a realizar em breve, Tito Lyon de Castro, editor das Publicações Europa-América, e Osvaldo Manuel Silvestre, o editor da chancela Angelus Novus, que escolherá três livros saídos recentemente e que gostaria de ter podido editar.
A entrada, como sempre, é livre.

27 maio 2008

A Matemática das Coisas

Hoje à tarde, às 17h30, quem estiver por Lisboa pode assistir à apresentação do livro A Matemática das Coisas, de Nuno Crato (Gradiva), na Feira do Livro.



Eu já o li e garanto que mesmo quem não se dava muito bem com equações de segundo grau ficará versado (ligeiramente, é certo) em temas tão aparentemete inacessíveis - e com nomes tão sonoros que parecem, só por si, misteriosos - como a sucessão de Fibonacci, o número de ouro ou a tira de Mobius. E temas mais prosaicos, como atacadores de sapatos ou fatias de bolo rei, também revelam a sua beleza, tranfsormando o quotidiano numa espécie de palco científico que não deixará ninguém voltar a usar a faca de cozinha com a mesma indiferença. Sobretudo, para além do muito que se aprende, os temas matemáticos surgem sempre em relação com o mundo que os rodeia, que lhes dá contexto ou que os origina, e isso abre caminho para uma forma muito diferente de olhar para a matemática. Seria muito fácil perder-mo-nos ao ler um texto onde se explica a geometria do pentagrama, as relações entre os seus ângulos e os seus vértices e a possibilidade de construir novos pentagramas a partir do inicial; mas se essa geometria for abordada, como neste livro, partindo da relação com o homem de Vitrúvio, o tema torna-se muito mais interessante e os esforços para acompanhar raciocínios nem sempre acessíveis ao leitor vêem-se recompensados.

26 maio 2008

Pessoana



No próximo dia 28 (Quarta-Feira), Eduardo Lourenço apresentará Pessoana: Bibliogafia Passiva, Selectiva e Temática, de José Blanco (Assírio & Alvim). A sessão está marcada para as 18h30, no auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian.

Entretanto, o Público de hoje refere a possibilidade de uma parte do espólio de Fernando Pessoa, com leilão agendado para OUtubro deste ano, poder ser vendida a um comprador estrangeiro, o que impossibilitaria o seu estudo e edição a par com o resto do espólio.

365



Chegou-nos às mãos a mais recente edição da 365, revista que Fernando Alvim dirige e António Gregório edita. Não atinge a fasquia de números anteriores, como aquele, inesquecível, dedicado ao Verão Azul, mas o formato A5 assenta-lhe bem. Tem textos de Pedro Paixão, Jorge Palma ou Fernando Ribeiro, para além de um poema de Rui Lage e de várias outras colaborações, e anuncia a recepção de textos ou trabalhos gráficos para a próxima edição. Está à venda em livrarias, papelarias e associações de Estudantes, cobrindo uma área considerável do território. É espreitar aqui e descobrir o resto.

Alfredo Saramago

Comer e beber são muito mais do que duas necessidades. Aprendemo-lo com muitos autores ao longo dos séculos, e aprendemo-lo também com Alfredo Saramago, que morreu este fim de semana, deixando uma obra extensa e apetecível para memória dos vindouros. É lê-la e aprender.


Para uma História da Alimentação de Lisboa e seu Termo
Lisboa, Assírio & Alvim, 2004

25 maio 2008

Romance em Lyon

A partir de amanhã, e até ao dia 1 de Junho, Lyon será palco da segunda edição dos Assises Internationales du Roman. No Le Monde, co-organizador do evento, pode conhecer-se o programa e acompanhar, nos próximos dias, algumas das sessões.

Subindo e descendo o Parque

Entre um aguaceiro e uma aberta solarenga, o Cadeirão lá foi até ao Parque Eduardo VII. Sem fugir aos rituais de sempre, houve passagem obrigatória pelos alfarrabistas, pela tenda dos pequenos editores e pelas editoras de sempre. Mais do que um momento para descobrir novidades, a Feira é sempre uma boa altura para relembrar catálogos e títulos mais antigos, quase nunca visíveis nas livrarias e quase sempre a preços simpáticos. Foi assim que da Antígona veio O Comércio da Literatura, de Manuel Portela, que a minha biblioteca andava a reclamar desde o lançamento. E da banca da Letra Livre, duas edições velhinhas da & Etc: O Eubage (Nos Antípodas da Unidade), de Blaise Cendrars, e Zaroff - O Jogo Mais Perigoso, de Richard Connel, um livro que não pensei encontrar disponível. Cavalo de Ferro, Tinta da China, Cotovia, Relógio d'Água e Quasi terão as suas visitas mais tarde. Assim não se arruina uma família logo no primeiro dia da Feira... Na Assírio & Alvim não chegou a haver compras, mas houve conversa prolongada com quem sabe de livros e tem histórias para contar. A Feira e os livros também se fazem disso, de conversas, memórias e experiências.

A tão falada praça Leya viu-se de passagem, entre a subida e a descida, e não impressionou. Bem sei que o preconceito (aqui entendido também no sentido etimológico do termo) não torna a visão mais límpida, mas ainda assim, a dita praça não impressionou de todo: os caixotes ainda por abrir foram apenas um pormenor sem importância; já o facto de olhar para os pavilhões, maiores do que os outros - mesmo sem fita métrica, é óbvio - e não só não distinguir umas editoras de outras como ainda por cima ficar com a ideia de que há poucos livros, pareceu estranho. Pensar que há ali editoras com catálogos extensos e de referência e só conseguir vislumbrar capas expostas e pouco mais causa estranheza. Se calhar é má vontade, se calhar foi por ser o primeiro dia; dou o benefício da dúvida e volto lá durante a semana para confirmar.

22 maio 2008

Annemarie Schwarzenbach

Amanhã, dia 23 de Maio, passam cem anos sobre o nascimento de uma escritora suiça (Annemarie Schwarzenbach) que só no final do século XX começou a ser (re)descoberta. Nessa noite haverá uma sessão de leitura (à semelhança do que acontecerá nesse mesmo dia em vários pontos do mundo) e a projecção de um documentário sobre a autora na Fábrica de Braço de Prata.



E em Junho, Annemarie Schwarzenbach inaugura uma nova colecção, de livros de viagens, na Tinta da China, com o título Morte na Pérsia.

21 maio 2008

Leituras Gastronómicas

No Hoja Por Hoja, Giorgio De’Angeli escreve sobre os livros de gastronomia que se editam no México, apontando lacunas (como a da cozinha não mexicana), sugerindo leituras e reflectindo sobre o estranho hábito que algumas pessoas têm: o de comprarem livros de receitas mesmo sabendo que nunca as vão cozinhar...



Aqui no Cadeirão, a leitura faz-se com A Ferver, de Bill Buford, daSextante (sobre o qual vale a pena ler o que Eduardo Pitta escreveu, no Ípsilon do dia 2 de Maio - disponível aqui).

Feiras

A Feira do Livro do Porto já funciona. A de Lisboa abre no Sábado.

20 maio 2008

Entretanto...

...as notícias sobre a abertura da Feira de Lisboa (afinal, marcada para Sábado) foram surgindo em catadupa ao longo da tarde, pelo que se recomenda uma espreitadela ao Público, à Ler e aos Blogtailors para ficar a par de tudo o que se passou.

Uma longa resposta IV

E aqui entra outra ordem de questões, úteis para a minha resposta ao comentário referido. Eu não acredito nas boas graças do funcionamento do mercado. Será uma questão ideológica, claro, mas as questões ideológicas pesam quando há opiniões. Quer isto dizer que acho que o Estado devia controlar as editoras, etc, etc, etc...? Nada disso. Não só não acredito nas boas graças do funcionamento do mercado como também desprezo a ideia do centralismo estatal, a ideia do controlo total a partir de um centro benfeitor e timoneiro do povo e até a ideia de ser possível apontar uma ideia que resolva de modo satisfatório todas as inquietações, dúvidas e paixões políticas que alimento. O que posso fazer? Misturo uma costela anarquista com um socialismo de determinadas características, acredito no contrato entre Estado e cidadãos, mas também no direito à desobediência, na importância da responsabilidade e da responsabilização (sempre, a todo o custo e por mais contraditório que seja o que se fez ou pensou), simpatizo com as barricadas quando elas fazem falta, com a diplomacia sempre que possível, com o respeito no debate e com a falta de papas na língua. Mas que fique descansado o senhor do comentário: a responsabilidade é o que mais pesa, e por isso não lerá nenhum texto meu num órgão de informação que não tenha sido feito com a máxima dedicação ao rigor (e isto não significa que eu seja imune aos erros, que esses todos cometemos). Mas uma vez mais, isto não é um órgão de informação, ainda que às vezes possa servir como tal. E o que tem tudo isto a ver com a Feira do Livro e com a minha opinião sobre o modo como o processo tem decorrido? Tem tudo.
Não acreditando nas benesses do funcionamento do mercado, antipatizo com a concentração editorial e o modo como esta está a acontecer em Portugal porque acredito que daí não virá nada de bom para a edição (consequentemente, para tudo o resto que deriva da leitura e da existência de livros para serem lidos). Se calhar, vamos ter vendas mais altas, capas mais berrantes, autores mais sonantes, e com mais bonecos em tamanho real às portas das livrarias, mas nada disso me interessa no que aos livros diz respeito. E se tudo isso for conseguido sacrificando a qualidade dos catálogos, a diversidade dos títulos e a possibilidade de edição de alguns autores menos óbvios para o mercado, então passa a interessar-me, mas pela negativa. Dir-me-ão que se editoras pequenas e de qualidade desaparecerem à conta disso, se as pequenas livrarias ficarem sem acesso aos livros que encomendam porque as editoras dão preferência às grandes cadeias livreiras, se autores menos lucrativos – mas com textos que ninguém devia morrer sem ler – deixarem de publicar, isso é o mercado a funcionar. Pois bem, que não funcione. Se o mercado funcionar é sinónimo de termos estarolas dos negócios a granel a destruírem catálogos que editores de referência levaram anos a construir, livrarias transformadas em supermercados, onde não se encontram livros que não sejam novidades – e mesmo assim, só se forem da semana anterior –, e um panorama onde todos os espaços, Feiras incluídas, são ocupados pela eficiência do marketing, mas pela ausência de conteúdo (conteúdo mesmo, daquele que não precisa de ser espremido, daquele que a gente lê e a seguir tem de pensar no que leu, e às vezes não volta a ser a mesma pessoa depois de ter lido), então que se dane o mercado e o seu funcionamento.
Tenho alguma proposta proteccionista para resolver a questão? Claro que não. Percebo pouco do deve e do haver e, se tivesse uma editora, tenho a certeza de que ela não só não daria lucro como o mais provável era que desse prejuízo. Mas acredito que órgãos como a Câmara Municipal (a de Lisboa, mas também a do Porto, e até seria interessante pensar nas outras e no que poderiam fazer nas respectivas localidades) poderiam atenuar o efeito de mina armadilhada que estruturas gigantescas podem ter no panorama editorial. Como? Talvez passando a apoiar a instalação de editoras menos abonadas nas Feiras do Livro, em vez de subsidiar directamente a APEL, por exemplo. É uma medida de caridade, pseudo-comuna, pobrezinha... Não faço ideia, mas soa-me bem independentemente da etiqueta. E também me soaria bem que as editoras que não pretendem vender-se se associassem de algum modo, para fazerem face aos problemas de organização das Feiras – que certamente se irão agravar – e sobretudo para garantirem que não perdem margem de negócios com os pontos de venda. Mas isto, claro, são só ideias minhas.

Uma longa resposta III

Quanto à Feira propriamente dita, e à participação da Leya neste processo, digo o seguinte: pessoalmente, parece-me muito bem que os editores proponham alterações ao modelo da Feira, se disso sentem necessidade, assim como me parece muito bem que não o façam, se para aí não estiverem virados. Mas parece-me bem que o façam nos locais onde se associam e, já agora, de um modo o mais transparente possível. O que cheirou a esturro (e a prepotência, e a desprezo pelo debate e pelas próprias associações) foi a ausência da Leya nos espaços de debate, em pé de igualdade com os restantes editores (seus pares, ou não?). E o que esturricou de vez toda a credibilidade do processo foi o facto de, depois dessa ausência, a Leya surgir constantemente como uma terceira associação, apesar de ser um grupo editorial, e de a Leya insistir em não entregar a sua inscrição na Feira, à semelhança do que fizeram as restantes editoras. Ora, a partir daqui, parece legítimo que todas as outras editoras e todos os outros grupos editoriais tenham o mesmo direito de participar, como a Leya participou, nas reuniões que foram existindo. E que se perguntem para que andam a tratar de inscrições e a respeitar os regulamentos da Feira. Não sendo assim, concluo que para a Leya, as restantes editoras não são, de facto, seus pares e que, depois disto, talvez as associações não tenham grande sentido... O melhor é mesmo deixar o mercado funcionar.

Uma longa resposta II

Se algum dia me for pedido um artigo, notícia ou reportagem, sobre as disputas entre a APEL e a UEP relativamente à Feira do Livro, não haverá lugar para outro procedimento que não o de contactar todos os envolvidos, dentro de cada associação, bem como os elementos que, parecendo menos óbvios na sua relação com as ditas disputas, terão alguma coisa a dizer sobre o assunto. Não comecei ontem a acompanhar o mundo editorial e compreendo o que diz o comentário. Mas isto é um blog pessoal, onde para além de partilhar leituras e notícias, me reservo o direito de opinar sobre o que se passa no dito mundo editorial. Ora, a opinião não é isenta e eu nunca escondi a minha pouca simpatia pela concentração editorial. Não há imparcialidade aqui: a concentração do mercado nas mãos de uns poucos não me agrada. E para quem lê este blog, isso não é exactamente uma novidade. Mas eu volto a explicar: este blog não é imparcial; faz, aliás, questão de ser parcial sempre que assim o entender. Para escritas anódinas já basta o dia a dia.

Uma longa resposta

Um comentário a este post ficou sem resposta até agora, e seria uma tremenda falta de educação da minha parte se assim se mantivesse. Primeiro, foi a falta de tempo nestes últimos dias; depois, foi a necessidade de dar uma resposta completa, aproveitando para esmiuçar um pouco mais toda esta telenovela e o que ela implica para o futuro da edição em Portugal. A resposta acabou por sair mais longa do que eu imaginava, por isso passou a ser um post, e partido em três, para não abusar da vista de ninguém.

Dor de cotovelo

O acompanhamento diário do Hay Festival, para ler e ouvir aqui.

Será desta?

Segundo notícia avançada pelo Público on-line, o acordo entre a APEL e a UEP (e a Leya, é preciso dizer, que também lá estava apesar de não ser uma associação) foi assinado ontem à noite, na Câmara Municipal de Lisboa. A Leya terá os seus pavilhões diferenciados, a APEL ficará com a organização da Feira do próximo ano e o evento propriamente dito deve abrir este fim de semana, faltando apenas acertar alguns pormenores técnicos.
Em compensação, a Feira do Porto abre mesmo no dia 21, tal como estava anunciado.

19 maio 2008

Galego-Português

Foram vários milhares na Praça da Quintana. em Santiago de Compostela, exigindo que a sua língua seja usada em todas as ocasiões, e não apenas nos contextos familiares, e que lhe seja reconhecida a dimensão que, de facto, tem.
Do Cadeirão, um abraço para os amigos que por lá andaram e o desejo de que a festa ainda venha a ser bonita, pá.

17 maio 2008

Os foguetes e as canas

Afinal, tudo na mesma... O que ontem foi divulgado já não é bem verdade e o que será anunciado amanhã ou depois, logo se verá. Até agora, a Leya fica para a história como o motivo pelo qual não temos feira em Lisboa para a semana. Esperemos que não fique também para a história como o motivo pelo qual não temos feira em Lisboa, nem para a semana nem este ano.

E agora vou ler os jornais do fim de semana, descobrir se as mudanças do Actual são para saudar ou para lamentar e descobrir as novidades da Feira do Livro de Madrid... essa, pelos vistos, vai mesmo acontecer (e com as mesmas barraquinhas de sempre, vejam só!).

16 maio 2008

Temos Feira, sim senhora!

Segundo o blog da Ler, a Feira do Livro de Lisboa vai realizar-se, e com todos os pavilhões. Os das editoras que se inscreveram de acordo com o regulamento, iguais aos de sempre, os da especial de corrida Leya, diferentes de todos os outros. Uma verdadeira festa...

(Des)Acordos

A discussão sobre o protocolo modificativo do Acordo Ortográfico está marcada para hoje, na Assembleia da República.

Leituras (para acalmar um bocado os ânimos)

No New York Times, Alberto Manguel assina um belo texto sobre os seus trinta mil volumes bibliográficos (e o ‘drama’ da respectiva arrumação).

15 maio 2008

Troca de argumentos

O debate entre Vasco Teixeira, da APEL, e Rosália Vargas, da Câmara Municipal de Lisboa acabou de acabar. Ficou por perceber se a CML tem noção do que andou a fazer nos últimos dias ou se foi apanhada de surpresa, ingenuamente, quando se lembrou de autorizar a montagem de pavilhões por parte de um grupo editorial que nunca se inscreveu na Feira do Livro, como fizeram todos os outros editores.
Mais novidades sobre a clarificação da CML, só amanhã.