26 março 2008
Phillip Pullman
Once Upon a Time in the North, de Phillip Pullman, a prequela de His Dark Materials, será publicada no início de Abril, no Reino Unido. No site do Guardian pode ler-se, em exclusivo, um excerto livro.
24 março 2008
Bloco de Notas II
O Livro do Pedro, Manuela Bacelar, Afrontamento (2008)
Os livros ilustrados e com histórias pensadas para os mais novos tendem a ser seleccionados por quem os compra a partir dos temas que abordam. Mais do que a qualidade da escrita e da ilustração, os adultos criteriosos na escolha de livros para crianças costumam privilegiar a temática, muitas vezes em função da idade, dos interesses ou da fase de desenvolvimento das crianças. E pode dizer-se que nos últimos anos, a oferta no mercado português evoluiu de modo a satisfazer ambas as preocupações – a estética, chamemos-lhe assim, e a pedagógica. Claro que valerá a pena reflectir sobre se as duas coisas não se misturam, sobre a importância suprema de dar a ler livros bem escritos e bem ilustrados e sobre o facto de ser possível que isso seja tão ou mais importante no desenvolvimento da criança do que a pedagogia transmitida nos livros (isto se essa mesma pedagogia for transmitida em casa).
Saltando essa parte da discussão, que daria um debate interessante e importante, fica a certeza de que os livros infantis editados entre nós têm melhorado a todos os níveis, facto que muito se deve ao aparecimento de editoras com preocupações que vão muito além da ideia simplista de que para fazer livros para miúdos basta arranjar uma história que pareça infantil aos adultos e que seja acompanhada de bonecos coloridos e apelativos: editoras como a Kalandraka, a OQO, Planeta Tangerina, Edições Heterogémeas, Gatafunho ou as Edições Kual, catálogos infanto-juvenis como os da Caminho, da Afrontamento e da Livros Horizonte (e isto apenas para citar alguns), têm feito muito pela elevação dos padrões estético-literários e das abordagens nos livros para os mais novos.
Voltando às temáticas, o tal factor decisivo na escolha dos livros, o panorama mudou muito. As prateleiras das secções infanto-juvenis das livrarias, ainda que muitas vezes se encham de ‘tralha visual florescente e cor-de-rosa sonora’ (não me lembro de melhor epíteto), oferecem já escolhas muito interessantes e diversas para as bibliotecas dos mais novos e para as ofertas sazonais de familiares e amigos das crianças. E oferecem, sobretudo, livros que, abordando temas que surgem como fundamentais para desenvolver nos leitores questões como a responsabilidade, o respeito pelo outro ou a aprendizagem do mundo, o fazem de um modo inteligente, sem moralismos ou didactismos forçados.

É o caso do livro que me faz escrever estas linhas. Chama-se O Livro do Pedro, é da autoria de Manuela Bacelar e tem a chancela da Afrontamento. A atenção que recebeu dos media , pouco dados a destaques tão unânimes quando se trata de livros infanto-juvenis, explica-se sobretudo pela temática do livro – com tudo o que isso tem de injusto para com a longa obra de Manuela Bacelar. Apesar disso, antes assim. Não é todos os dias que uma história com óbvias preocupações de transmitir ideias tão nobres no que ao desenvolvimento das crianças diz respeito consegue tomar forma e imprimir-se em livro sem que a gente a leia e pense que mais valia ter dado à criança um sermão sobre a igualdade e o respeito, em vez de impingir-lhe um livro para que ela os aprendesse. E é ainda menos frequente que essa história inclua como personagens uma família composta por uma menina com dois pais (assim mesmo, no masculino), que virá a transformar-se na mãe de dois filhos (um ainda a caminho), com o seu companheiro (ou marido, pouco importa). A sinopse poderia levar a crer que o livro que a imprensa apresentou como "o primeiro conto infantil português a abordar a temática gay" é apenas um livro que tenta enfiar na cabeça dos jovens leitores a importância da igualdade, ou apenas um livro cuja originalidade se deve à quase ausência de livros com personagens homossexuais no mercado editorial infanto-juvenil, ou apenas um livro panfletário, destinado a fazer a felicidade de quem defende a igualdade de todos os cidadãos e a criar arrepios de indignação nos meios mais conservadores. Puro engano. O Livro do Pedro é uma história simples, retratando situações do dia a dia de uma criança, envolvendo o contexto familiar – onde se destaca a partilha de momentos, os espaços para as brincadeiras, as obrigações apropriadas à responsabilidade da idade – e retratando o mundo de duas crianças de sete anos, mãe e filha, em momentos diferentes das suas vidas. Que uma das crianças tenha como pais dois homens só é novidade ou notícia porque vivemos no país em que vivemos (e também por isso se saúda o livro pela sua temática; de outro modo, seria um elemento tão importante como qualquer outro, e talvez lá cheguemos um dia...). Que esse pormenor da história seja abordado sem moralismos ou didactismos e incluído na narrativa como mais um dos seus elementos, isso é o que faz de O Livro do Pedro um livro tão recomendável. Porque não há nada pior do que criar um grande mito à volta de uma questão que só é complicada para os adultos (e para os que nos governam em particular). E sobre questões didáctico-pedagógicas estamos conversados, até porque há outras características do livro a merecerem atenção, como o facto de a história estar bem escrita e incluir, de modo acessível aos mais novos, elementos narrativos como a analepse (introduzindo a mudança de plano temporal nos hábitos de leitura), diferenças visíveis e significantes ao nível das ilustrações (relacionando-as com os diferentes planos temporais: a cada plano correspondem características pictóricas bem diferenciadas) e uma organização ao nível da paginação irrepreensível, facto tanto mais importante quanto sabemos que muitos livros infantis são feitos sem esse cuidado, resultando em amálgamas de papel, texto e desenhos sem nenhum critério organizacional que as faça parecer um livro.
Ver: Blogue de O Livro do Pedro e entrevista da autora a Fernanda Câncio, no DN.
Os livros ilustrados e com histórias pensadas para os mais novos tendem a ser seleccionados por quem os compra a partir dos temas que abordam. Mais do que a qualidade da escrita e da ilustração, os adultos criteriosos na escolha de livros para crianças costumam privilegiar a temática, muitas vezes em função da idade, dos interesses ou da fase de desenvolvimento das crianças. E pode dizer-se que nos últimos anos, a oferta no mercado português evoluiu de modo a satisfazer ambas as preocupações – a estética, chamemos-lhe assim, e a pedagógica. Claro que valerá a pena reflectir sobre se as duas coisas não se misturam, sobre a importância suprema de dar a ler livros bem escritos e bem ilustrados e sobre o facto de ser possível que isso seja tão ou mais importante no desenvolvimento da criança do que a pedagogia transmitida nos livros (isto se essa mesma pedagogia for transmitida em casa).
Saltando essa parte da discussão, que daria um debate interessante e importante, fica a certeza de que os livros infantis editados entre nós têm melhorado a todos os níveis, facto que muito se deve ao aparecimento de editoras com preocupações que vão muito além da ideia simplista de que para fazer livros para miúdos basta arranjar uma história que pareça infantil aos adultos e que seja acompanhada de bonecos coloridos e apelativos: editoras como a Kalandraka, a OQO, Planeta Tangerina, Edições Heterogémeas, Gatafunho ou as Edições Kual, catálogos infanto-juvenis como os da Caminho, da Afrontamento e da Livros Horizonte (e isto apenas para citar alguns), têm feito muito pela elevação dos padrões estético-literários e das abordagens nos livros para os mais novos.
Voltando às temáticas, o tal factor decisivo na escolha dos livros, o panorama mudou muito. As prateleiras das secções infanto-juvenis das livrarias, ainda que muitas vezes se encham de ‘tralha visual florescente e cor-de-rosa sonora’ (não me lembro de melhor epíteto), oferecem já escolhas muito interessantes e diversas para as bibliotecas dos mais novos e para as ofertas sazonais de familiares e amigos das crianças. E oferecem, sobretudo, livros que, abordando temas que surgem como fundamentais para desenvolver nos leitores questões como a responsabilidade, o respeito pelo outro ou a aprendizagem do mundo, o fazem de um modo inteligente, sem moralismos ou didactismos forçados.

É o caso do livro que me faz escrever estas linhas. Chama-se O Livro do Pedro, é da autoria de Manuela Bacelar e tem a chancela da Afrontamento. A atenção que recebeu dos media , pouco dados a destaques tão unânimes quando se trata de livros infanto-juvenis, explica-se sobretudo pela temática do livro – com tudo o que isso tem de injusto para com a longa obra de Manuela Bacelar. Apesar disso, antes assim. Não é todos os dias que uma história com óbvias preocupações de transmitir ideias tão nobres no que ao desenvolvimento das crianças diz respeito consegue tomar forma e imprimir-se em livro sem que a gente a leia e pense que mais valia ter dado à criança um sermão sobre a igualdade e o respeito, em vez de impingir-lhe um livro para que ela os aprendesse. E é ainda menos frequente que essa história inclua como personagens uma família composta por uma menina com dois pais (assim mesmo, no masculino), que virá a transformar-se na mãe de dois filhos (um ainda a caminho), com o seu companheiro (ou marido, pouco importa). A sinopse poderia levar a crer que o livro que a imprensa apresentou como "o primeiro conto infantil português a abordar a temática gay" é apenas um livro que tenta enfiar na cabeça dos jovens leitores a importância da igualdade, ou apenas um livro cuja originalidade se deve à quase ausência de livros com personagens homossexuais no mercado editorial infanto-juvenil, ou apenas um livro panfletário, destinado a fazer a felicidade de quem defende a igualdade de todos os cidadãos e a criar arrepios de indignação nos meios mais conservadores. Puro engano. O Livro do Pedro é uma história simples, retratando situações do dia a dia de uma criança, envolvendo o contexto familiar – onde se destaca a partilha de momentos, os espaços para as brincadeiras, as obrigações apropriadas à responsabilidade da idade – e retratando o mundo de duas crianças de sete anos, mãe e filha, em momentos diferentes das suas vidas. Que uma das crianças tenha como pais dois homens só é novidade ou notícia porque vivemos no país em que vivemos (e também por isso se saúda o livro pela sua temática; de outro modo, seria um elemento tão importante como qualquer outro, e talvez lá cheguemos um dia...). Que esse pormenor da história seja abordado sem moralismos ou didactismos e incluído na narrativa como mais um dos seus elementos, isso é o que faz de O Livro do Pedro um livro tão recomendável. Porque não há nada pior do que criar um grande mito à volta de uma questão que só é complicada para os adultos (e para os que nos governam em particular). E sobre questões didáctico-pedagógicas estamos conversados, até porque há outras características do livro a merecerem atenção, como o facto de a história estar bem escrita e incluir, de modo acessível aos mais novos, elementos narrativos como a analepse (introduzindo a mudança de plano temporal nos hábitos de leitura), diferenças visíveis e significantes ao nível das ilustrações (relacionando-as com os diferentes planos temporais: a cada plano correspondem características pictóricas bem diferenciadas) e uma organização ao nível da paginação irrepreensível, facto tanto mais importante quanto sabemos que muitos livros infantis são feitos sem esse cuidado, resultando em amálgamas de papel, texto e desenhos sem nenhum critério organizacional que as faça parecer um livro.
Ver: Blogue de O Livro do Pedro e entrevista da autora a Fernanda Câncio, no DN.
Lope de Vega: manuscrito à venda
Um manuscrito autógrafo de Lope de Vega, conhecido como Códice Daza, está à venda em Espanha. A Biblioteca Nacional espanhola, a braços com problemas financeiros que a impedem de cobrir o preço pedido pelo actual dono do manuscrito, procura um mecenas para garantir a aquisição, impedindo a saída do manuscrito do país.
23 março 2008
21 março 2008
Um lugar de poesia
Rêve é um diálogo entre três línguas: texto em português, texto em francês, ilustração a partir de recortes. Neste diálogo há ecos no lugar de comunicação, não há perguntas nem respostas porque todos os elementos estão ligados por uma corrente de contiguidade. As pausas e os vazios entre discursos (textos e imagens) marcam o ritmo do sonho que corre no desejo e no mistério, no prazer da sensação, na transposição para um lugar outro.O recorte desta vez justapõe a forma e os vestígios de imagens prévias, que foram alteradas pelas novas formas que o papel ganha. O olhar, nem sempre presente mas recorrente, invade a imagem e perturba a leitura. O olhar curioso, alegre ou tímido da
criança dialoga com o espelho, o computador, o skate, o esqui – a liberdade de percorrer, sem limites, algo que é no final do livro o desejo de sonhar e de ser, pelo sonho.Este sonho não está limitado aos topoi da liberdade, da criatividade ou da bondade. Rasga-se a rigidez de quadros e valores estáticos através da exploração de tensões entre o desejo, a experiência e o intangível. O sonho é uma teia de relações e construções limitadas mas catalizadoras, como acontece com o Pai Natal e a relação de causa-efeito entre o seu comportamento e o das crianças. O sentido circular desta lógica abre-se sempre numa mudança porque o sonho, enquanto figura objectável, é intangível. Desse desejo primeiro, os sujeitos regressam a si. Os sonhos são por isso inevitavelmente reflexivos mas operam, a cada processo, uma diferença no sujeito, que muda a cada sonho que sonha, nunca voltando a sonhar o mesmo sonho da mesma maneira. Como a palavra dita ou escrita, como a imagem vista, como o tempo, como a memória.
O álbum Rêve foi editado pelas Edições Eterogémeas, em Setembro de 2007, escrito por Eugénio Roda e ilustrado por Gémeo Luís.
Dia Mundial da Poesia
No Jardim da Parada, em Campo de Ourique, há livros a preços convidativos. E no CCB as comemorações decorrem amanhã, para não chocarem com o feriado pascal.
19 março 2008
Acabados de chegar e já com sinusite
Chama-se Sinusite Crónica e é o novo blog do Pedro Vieira, partilhado com o Alexandre Borges, o João Bonifácio, o Nuno Costa Santos e o Pedro Marques Lopes). Dali não deve vir coisa boa, não...
Arthur C. Clark
Morreu Arthur C. Clark, co-criador, com Stanley Kubrik, de “2001: Odisseia no Espaço”, e autor de perto de uma centena de livros. No New York Times, Gerald Jonas traça-lhe o retrato.
Livros manuseados... e bons
18 março 2008
Livros em Desassossego
Na Quinta-feira, dia 27, pelas 21h30, os Livros em Desassossego regressam à Casa Fernando Pessoa. Clara Ferreira Alves, Pedro Mexia e José Mário Silva, moderados por Carlos Vaz Marques, debatem a crítica literária que temos na imprensa (e talvez a que não temos, também). Nuno Júdice é o autor convidado, apresentando o seu novo livro, a sair em Abril, A Matéria do Poema. Maria da Piedade Ferreira, editora da Oceanos, escolhe três livros que não se importava de ter editado.
A entrada, como sempre, é livre.
A entrada, como sempre, é livre.
O Mundo dentro dos livros II
16 março 2008
Livros no ecrã
Daqui a nada começa o Câmara Clara, na RTP2. João Barrento e Pedro Tamen são os convidados e entre os muitos livros que o programa referirá estão estes dois: Olímpio, Vários Autores, Diatribe; Tanto Fogo e Tanto Frio – O Último Sonho de Olímpio, Alberto Pimenta e Vítor Silva Tavares, &etc.
14 março 2008
Leituras
No Guardian, Andrew Motion escreve sobre a recepção da obra de Philip Larkin passados que estão vinte e três anos sobre a sua morte.
No Hoja por Hoja, um texto de Elizabeth Flores Rodríguez sobre a farsa da 'leitura rápida', ideia vendida em cursos e formações para gáudio de quem quer parecer muito inteligente sem ter de virar as páginas...
No Hoja por Hoja, um texto de Elizabeth Flores Rodríguez sobre a farsa da 'leitura rápida', ideia vendida em cursos e formações para gáudio de quem quer parecer muito inteligente sem ter de virar as páginas...
13 março 2008
Sublinhados XI
PARDO É O DESERTO NA CIDADE
Apenas se adivinham os oásis
quando a sede envolve os corpos
e o fumo cerca a guerra científica
de estilhaços de ferro pardo
como pardo é o deserto na cidade
um milímetro ao lado das bombas imperfeitas
na incerteza das armas desenhadas,
no rumor de certo Mississipi
para que o jogo se faça a conta-fios
para que não penetre a loja de postais
ainda entreaberta em Bagdade.
António Ferra, in A Palavra Passe (Campo das Letras, 2006. Pg.39)
Apenas se adivinham os oásis
quando a sede envolve os corpos
e o fumo cerca a guerra científica
de estilhaços de ferro pardo
como pardo é o deserto na cidade
um milímetro ao lado das bombas imperfeitas
na incerteza das armas desenhadas,
no rumor de certo Mississipi
para que o jogo se faça a conta-fios
para que não penetre a loja de postais
ainda entreaberta em Bagdade.
António Ferra, in A Palavra Passe (Campo das Letras, 2006. Pg.39)
12 março 2008
Pentâmetros Jâmbicos em digressão

O livro Pentâmetros Jâmbicos, de Mário Avelar, com edição da Assírio e Alvim, será apresentado amanhã, às 18h30, na Livraria LEITURA BOOKS & LIVING, C. C. Cidade do Porto, no Porto, onde Ana Luísa Amaral lerá excertos da obra.
No dia 19, quarta-feira, pelas 21h30, será a vez da FNAC de Braga, com apresentação de Rui Madeira, director do Theatro Circo.
E no sábado, dia 29, pelas 16h, o livro será apresentado em Torres Vedras, na LIVRO DO DIA, pelo Luís Filipe Cristóvão.
11 março 2008
O galego em alta
Nos últimos anos, a Galiza viu aumentar substancialmente a procura de livros em galego por parte dos leitores. O investimento dos editores em boas traduções e a mudança social ao nível dos preconcitos sobre a língua tiveram um papel essencial, segundo os livreiros consultados pela redacção do semanário A Nosa Terra, onde se pode ler o artigo completo.
Ana Hatherly
Na Biblioteca Nacional, uma exposição assinala os cinquenta anos de vida literária de Ana Hatherly. Para ver até ao fim deste mês, na Sala de Referância. A entrada é livre.
Um Livro
Os manuais de estudos literários ensinam: não se fala de um livro através do que sabemos do seu autor, ou dos episódios biográficos que o originaram. E têm razão, os manuais. Mas não são para seguir sempre, os manuais.
O livro de que quero falar chama-se assim: Tanto Fogo e Tanto Frio. O Último Sonho de Olímpio. Foi escrito pelo Alberto Pimenta, tem um texto de abertura do Vítor Silva Tavares e foi composto e paginado pelo Pedro Serpa. Quem o edita é a & Etc. É um livro muito bonito, como o são sempre os livros da & Etc, mas é ainda mais bonito do que costumam ser os livros da & Etc. Fosse outro o livro, e fossem críticas ou analíticas as minhas intenções de escriba neste momento, e podiam começar a chamar-me ingénua. E estava muito bem; não se fala assim de um livro. Mas deste fala-se. Deste fala-se.
Guardo as deambulações analíticas pelo poema de Alberto Pimenta para quem queira aventurar-se por aí (o desafio é grande, digo já). E guardo a leitura que apetece repetir outra vez, e outra vez, do texto do Vítor Silva Tavares para quem quiser pensar sobre a vida, as pontes que nela se criam, os sonhos e os gestos com que a vamos construindo. Não quero fazer nada disso. Este livro é para o Olímpio e é tudo o que nele está feito para o Olímpio (e que é tudo, dos textos à capa, da montagem fotográfica com que abre à minúcia da composição – com um colofón belíssimo, com aqueles óculos deixados cair...) que faz dele um livro muito bonito. Não consigo lê-lo de outra maneira e quero lá saber de tudo o que aprendi com os tais manuais. Prefiro pensar no que aprendi com o Olímpio, sempre generoso na partilha da sua ars tipografica como em tudo o resto, sempre disponível para ouvir, mesmo que o tempo já não nos fizesse cruzar como antes, sempre capaz de acolher e sugerir e estabelecer pontes, as tais pontes que vamos criando para viver. É um livro muito bonito, este. E é tudo o que posso dizer.
O livro de que quero falar chama-se assim: Tanto Fogo e Tanto Frio. O Último Sonho de Olímpio. Foi escrito pelo Alberto Pimenta, tem um texto de abertura do Vítor Silva Tavares e foi composto e paginado pelo Pedro Serpa. Quem o edita é a & Etc. É um livro muito bonito, como o são sempre os livros da & Etc, mas é ainda mais bonito do que costumam ser os livros da & Etc. Fosse outro o livro, e fossem críticas ou analíticas as minhas intenções de escriba neste momento, e podiam começar a chamar-me ingénua. E estava muito bem; não se fala assim de um livro. Mas deste fala-se. Deste fala-se.
Guardo as deambulações analíticas pelo poema de Alberto Pimenta para quem queira aventurar-se por aí (o desafio é grande, digo já). E guardo a leitura que apetece repetir outra vez, e outra vez, do texto do Vítor Silva Tavares para quem quiser pensar sobre a vida, as pontes que nela se criam, os sonhos e os gestos com que a vamos construindo. Não quero fazer nada disso. Este livro é para o Olímpio e é tudo o que nele está feito para o Olímpio (e que é tudo, dos textos à capa, da montagem fotográfica com que abre à minúcia da composição – com um colofón belíssimo, com aqueles óculos deixados cair...) que faz dele um livro muito bonito. Não consigo lê-lo de outra maneira e quero lá saber de tudo o que aprendi com os tais manuais. Prefiro pensar no que aprendi com o Olímpio, sempre generoso na partilha da sua ars tipografica como em tudo o resto, sempre disponível para ouvir, mesmo que o tempo já não nos fizesse cruzar como antes, sempre capaz de acolher e sugerir e estabelecer pontes, as tais pontes que vamos criando para viver. É um livro muito bonito, este. E é tudo o que posso dizer.
10 março 2008
Leituras em atraso
No Babelia deste fim de semana, Luis García Montero dá uma entrevista a propósito de Vista Cansada, o seu mais recente volume de poesia. E no mesmo suplemento, José Carlos-Mainer assina a crítica sobre o livro (aqui).
Para os leitores que não conheçam, aqui fica um poema do autor:
...y quizá sentirán el contacto de otros labios...
Una pobre gramática de huidas te borda la
ventana. Es demasiado el cansacio, incluso
para el miedo, y ayer no sé si te contaron de
qué modo te ven y cual es tu secreto.
Después de amarte sienten un espacio de
rabia cubriéndoles los ojos; un breve parénte-
sis vacío que lo desmiente todo, y recuerdan de
que modo les cuesta pasar de un tiempo a otro,
separar el reloj de las fotografías, la estética
incapaz de sus costumbres, la muda sinrazón
de tu rutina.
Y mientras (tampoco es cuenta mía diluci-
darte nada) sigue la primavera lloviendo entre
los ángeles.
(in Y Ahora Ya Eres Dueño de la Puente de Brooklyn, Ediciones Semana Negra, Gijón, 2007 [1ªed. 1980])
Para os leitores que não conheçam, aqui fica um poema do autor:
...y quizá sentirán el contacto de otros labios...
Una pobre gramática de huidas te borda la
ventana. Es demasiado el cansacio, incluso
para el miedo, y ayer no sé si te contaron de
qué modo te ven y cual es tu secreto.
Después de amarte sienten un espacio de
rabia cubriéndoles los ojos; un breve parénte-
sis vacío que lo desmiente todo, y recuerdan de
que modo les cuesta pasar de un tiempo a otro,
separar el reloj de las fotografías, la estética
incapaz de sus costumbres, la muda sinrazón
de tu rutina.
Y mientras (tampoco es cuenta mía diluci-
darte nada) sigue la primavera lloviendo entre
los ángeles.
(in Y Ahora Ya Eres Dueño de la Puente de Brooklyn, Ediciones Semana Negra, Gijón, 2007 [1ªed. 1980])
07 março 2008
Feira de Livros Manuseados
Livros de três das melhores editoras que tempos por cá (Assírio e Alvim, Cotovia e Relógio d'Água) a preços muito convidativos, em plena Baixa de Lisboa (no nº72 da Rua Garrett, mais concretamente).

Até ao dia 16 de Março, sempre a partir das 11 horas da manhã (amanhã encerra às 22h, no Domingo, às 18h. De segunda a quinta encerra às 20h, na próxima sexta e sábado, às 22h e no último domingo, às 18h.)

Até ao dia 16 de Março, sempre a partir das 11 horas da manhã (amanhã encerra às 22h, no Domingo, às 18h. De segunda a quinta encerra às 20h, na próxima sexta e sábado, às 22h e no último domingo, às 18h.)
06 março 2008
Sublinhados X
CAPITAIS DA SOLIDÃO
A cada país do mapa
uma mancha de cores macias
e a negra capital
com a sua teia de estradas
e o seu enxame de nomes
e pontos mais finos.
Capitais da solidão -
recordam-nos o quanto
as quisemos,
esperando talvez
que o amor fosse justo
e a vida mais pródiga
em Roma, Budapeste
ou Paris entre Abril
e Junho.
Podemos agora
percorrê-las a eito
no papel, onde estão
imóveis e nunca anoitecem,
emblemas duradouros
de uma esperança
que não foi, neste caso,
a última a morrer.
Rui Pires Cabral, Capitais da Solidão (Teatro de Vila Real, 2006, p.9)
A cada país do mapa
uma mancha de cores macias
e a negra capital
com a sua teia de estradas
e o seu enxame de nomes
e pontos mais finos.
Capitais da solidão -
recordam-nos o quanto
as quisemos,
esperando talvez
que o amor fosse justo
e a vida mais pródiga
em Roma, Budapeste
ou Paris entre Abril
e Junho.
Podemos agora
percorrê-las a eito
no papel, onde estão
imóveis e nunca anoitecem,
emblemas duradouros
de uma esperança
que não foi, neste caso,
a última a morrer.
Rui Pires Cabral, Capitais da Solidão (Teatro de Vila Real, 2006, p.9)
05 março 2008
Traduzam tudo o que falta, por favor

Alfredo Bryce Echenique, o responsável (sem o saber, claro está) pelo nome deste blog, junto ao Sena, em 1997 (numa imagem tirada do site dedicado ao autor).
As traduções portuguesas de alguns dos seus livros encontram-se publicadas pela Teorema e pela Dom Quixote.
Os 18 anos do Público
O Público faz dezoito anos e, para assinalar a data, convidou José Pacheco Pereira para editor por um dia e disponibilizou a edição on-line gratuitamente. Mas o que vale realmente a pena ler e guardar para memória futura é o suplemento especial que integra a edição de hoje, com Miguel Esteves Cardoso a abrir (numa crónica que usa os pêlos púbicos como metáfora para o que é irritante no jornal) e com um revelador apanhado do que foi mudando, no jornalismo e no mundo, ao longo dos últimos dezoito anos.
04 março 2008
Livros Sobre Livros
Quem se dedica ao ofício dos livros em qualquer uma das suas vertentes tem pouca bibliografia disponível em português, mas encontra alguns livros muito recomendáveis em várias línguas estrangeiras. Uma boa indicação (dada pelo Sérgio) é a editora mexicana Libraria que, para além de organizar seminários e outros encontros sobre o tema dos livros, edita a colecção Libros Sobre Livros, cujo catálogo pode ser conhecido aqui. Há títulos específicos sobre o mundo dos editores, dos livreiros, das bibliotecas, dos autores e vários outros temas relacionados.
03 março 2008
Maria Gabriela Llansol (1939-2008)
Maria Gabriela Llansol morreu hoje, pela manhã. E se as mortes dos escritores costumam servir de 'pretexto' jornalístico, que esta sirva para que se volte a falar de uma das obras mais atípicas (e mais relevantes) da literatura portuguesa.
Fonte: Diário Digital
Fonte: Diário Digital
POESIA NO FRÁGIL
01 março 2008
Leituras de fim de semana
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