31 janeiro 2008

Inéditos de Camilo José Cela


(Fotografia: El Mundo)

O volume Pisando la dudosa luz del día, a editar brevemente pela Linteo (Ourense), recolherá os poemas da juventude de Camilo José Cela anteriormente editados e incluirá um conjunto de inéditos, alguns deles disponíveis para leitura no El Cultural.

O Cadeirão na Time Out

A ediçao de ontem da revista Time Out traz um texto de Isabel Lucas sobre dois blogs dedicados aos livros: este Cadeirão Voltaire e o Bibliotecário de Babel (que saiu Biblioteca de Babel...). Depois de o ler, fiquei com a certeza de que não terei muita vocação para dar entrevistas, porque das minhas palavras não se percebe aquilo que eu queria que as minhas palavras permitissem perceber. Por exemplo, onde se lê que "a ideia não foi a de criar um blogue de actualidade literária" devia ler-se que a ideia não foi apenas essa. O que eu queria dizer é que não pretendemos estar reféns da actualidade literária para escrever sobre livros e leituras, como acontece haitualmente nos jornais e revistas, mas isso não significa que a actualidade não nos interesse de todo, como se pode constatar nas várias entradas do Cadeirão. Significa, isso sim, que para além da atenção à actualidade, não teremos nenhum problema em escrever sobre um livro, ou mesmo um artigo de jornal, que tenha saído há dois, há dez ou há vinte anos, e que é nessa dupla atenção ao que é actual (ou ao que seleccionamos de entre o que é actual) e ao que já não faz primeiras páginas de suplementos que este blog se vai construindo.

De resto, ficam os agradecimentos à Time Out pelo interesse e pela divulgação (e pelo luxo da ilustração do José Carlos Farnandes a acompanhar o artigo...).

Livros em Desassossego

Hoje, a partir das 21h30, a Casa Fernando Pessoa recebe mais uma edição dos Livros em Desassossego. O debate terá o acordo ortográfico como tema central e Malaca Casteleiro, Vasco Graça Moura , José Eduardo Agualusa e Ivo Castro como convidados.
Para além do debate, Nélson de Matos apresentará a sua editora e escolherá três livros que gostaria de ter editado.

A moderação será da responsabilidade de Carlos Vaz Marques e a entrada, como sempre, é livre.

30 janeiro 2008

Leituras em grupo

Sempre encarei a leitura como um empreendimento solitário, independentemente das posteriores discussões a duas ou mais vozes. Em The Reading Groups Book descobre-se alguma coisa sobre os benefícios da leitura colectiva (ou da discussão colectiva sobre a leitura, já que a leitura propriamente dita será sempre individual) e fica-se a perceber que aquela ideia da leitura como salvação é, por vezes, uma situação muito real.



The Reading Groups Book
Jenny Hartley
Oxford University Press

Num registo mais leve, e não menos erudito por isso, vale a pena ler o que o Bibliotecário Anarquista tem para contar sobre comunidades de leitores na Antiguidade.

José Luís Peixoto premiado

José Luís Peixoto venceu o prémio Daniel Faria 2008 com o livro Gaveta de Papéis, que será publiucado pela Quasi. Peixoto sujeitou-se à avaliação de um júri (composto por Jorge Reis-Sá, Francisco José Viegas, Tito Couto e Vera Vouga) que só descobriu, surpreendido, a autoria dos poemas quando abriu o envelope com o nome do autor, como conta o Bibliotecário de Babel.

Surrealismo à venda

O manuscrito do Manifesto do Surrealismo, de André Breton, está à venda em Paris, assim como Poisson soluble, do mesmo autor. Os dois manuscritos serão leiloados no próximo dia 20 de Maio.

(Fonte: Diário Digital.)

Trocas

As boas notícias chegaram ontem, com a saída de Isabel Pires de Lima do Governo. Esperemos, agora, para ver o que nos reserva o futuro e José António Pinto Ribeiro.

29 janeiro 2008

A arte do não belo

Deste lado da cidade os autocarros andam cheios até tarde da noite. As pessoas andam cabisbaixas, as vozes são queixosas e infelizes. Deste lado da cidade os passeios estão sobrelotados de pés que se pisam e braços que se empurram. Deste lado da cidade as montras acumulam preços e produtos sem brilho. Deste lado da cidade não há espaço nem tempo para a qualidade, para respirar bem e devagar. Deste lado da cidade anseia-se por soluções, utilidade, e nem se espera saber o que é harmonia. Deste lado da cidade as avós, as mães e as crianças andam a par, estreitas na idade e no alto tom de voz.
Deste lado da cidade o valor está no preço e não se pede mais. É a vida sem arte.

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Por mim, pagava-lhe a água
e a sandes (duvidosa, como
tudo o que aqui se faz). Mas não
posso ser despedida agora.
Ao dar-me o dinheiro, quase
pede desculpa dessa vida também
em forma de navalha romba.
Até, de certeza, amanhã – pois
nem a morte quer ir com a nossa cara.

Isilda ou a nudez dos códigos de barras, Manuel de Freitas, Black Son Editores, 2001

O código que se associa a um produto corresponde a todos os números, todas a senhas, que identificam o indivíduo, despersonalizando-o. Na indiferenciação normalizada, continuará contudo a haver a possibilidade de ler os pequenos comportamentos repetidos que ditam o individual. A leitura faz-se por interposição de um diálogo de identificação entre a empregada que ocupa a caixa do supermercado e a/o cliente, apesar de paradoxalmente, tudo não passar de um processo de disposição da ideia em texto.
Certo é que foi deste livro que me lembrei, na minha última visita ao Minipreço.

Edições Nélson de Matos

Os primeiros livros chegarão às livrarias entre Fevereiro e Março, com destaque para O Lavagante, um inédito de José Cardoso Pires. Até lá, pode consultar-se o site para ver que tipo de catálogo se está a preparar nas Edições Nélson de Matos.

No DN de hoje, Ana Marques Gastão conversa com o editor.

Casa da Palavra

Assim se chama a editora brasileira que (re)descobri ontem, nas bancadas da Letra Livre. A Casa da Palavra tem um catálogo generalista, onde cabem a literatura, a gastronomia, a arte e o bem estar, mas tem uma colecção particularmente interessante chamada 'Livros sobre livros', de que encontrei três ou quatro exemplares na Letra Livre.
Títulos como A Palavra Impressa, de Martyn Lyons, ou o quase 'clássico' O Bibliófilo Aprendiz - Prosa de um velho colecionador para ser lida por quem gosta de livros, de Rubens Borba de Moraes, fazem parte da colecção, bem como dois livros que têm a livraria parisiense Shakespeare and Company como cenário e que me estão a tentar através do ecrã do computador desde que lhes vi as capas...



Infelizmente, o preço dos livros importados do Brasil continua a ser uma barreira para quem os compra em Portugal. Isto apesar das boas intenções ciclicamente anunciadas por governos e organismos vários sobre o estreitar dos laços culturais luso-brasileiros.

Negócios editoriais (a saga continua)

No Jornal de Notícias on-linedois ou três artigos soltos que devem pertencer à peça de que os Blogtailors falavam ontem. Ainda não vi a edição impressa, mas espero que esteja mais completa...

28 janeiro 2008

Sítios para visitar antes de morrer III

Pilgrims Bookhouse, na cidade de Varanasi (Índia).

27 janeiro 2008

Leituras

No Guardian, a recensão ao volume Walter Benjamin's Archive: Images, Texts, Signs, da responsabilidade de Ursula Marx, Gudrun Schwarz, Michael Schwarz e Erdmut Wizisla. No New York Times, a recensão a Ezra Pound: Poet - A Portrait of the Man and His Work. Volume I: The Young Genius, 1885-1920, de A. David Moody. Ainda no New York Times, um texto sobre um livro que dá vontade de ler (e recomendar a alguém que traduza e edite), só pela descrição e pela amostra disponibilizada pelo jornal on-line.

Adenda: o tal livro que dá vontade de ler e recomendar a tradução e edição tem site. Aqui.

26 janeiro 2008

Prémio D. Dinis para Manuel Alegre

Com o livro Doze Naus (D. Quixote), Manuel Alegre venceu a edição de 2008 do Prémio D. Dinis.



Do júri fizeram parte Vasco Graça Moura, Nuno Júdice e Fernando Pinto do Amaral.

(Fonte: Diário Digital.)

O mercado

Os jornais de hoje trazem mais informações sobre o estudo do Observatório das Actividades Culturais em torno do mercado livreiro. Há alguns números disponiveis, como os 381.000.000 de euros correspondente ao volume de negócios ligados ao sector do livro em 2005 (no Público). Para quem percebe pouco de contas e do funcionamento dos mercados, a leitura não é clara (ou então sou eu que não percebo mesmo nada de contas e mercados...) e há questões que ficam no ar - como perguntava Jaime Bulhosa há dois dias, numa caixa de comentários do Blogtailors, "do que é que estamos a falar quando falamos de volume de negócios, da facturação dos Editores ou da facturação das Editores, Gráficas, Distribuidores, Transportadores e Livreiros, tudo junto?". E se esta pergunta teve resposta entretanto, na mesma caixa de comentários, outras semelhantes surgirão à medida que os dados vão sendo disponibilizados. O melhor, por isso, é esperar pelas conclusões do estudo e perceber depois o que os dados clarificam sobre o mercado.

25 janeiro 2008

Novidades da Assírio e Alvim



Mil Planaltos - Capitalismo e Esquizofrenia 2, de Gilles Deleuze e Félix Guattari, sairá brevemente com chancela da Assírio e Alvim, à semelhança do que já tinha acontecido com Anti-Édipo - Capitalismo e Esquizofrenia, dos mesmos autores.

Ficções



O número 16 da revista Ficções estará nas livrarias até ao fim do mês. Alexandre Andrade, Pedro Manuel Calvete, António Figueira, Rui Cardoso Martins, Jorge Lobo Mesquita, Óscar de Sá, Amadeu Lopes Sabino e Ana Cláudia Santos são os autores que participam nesta edição.

Números para o mercado

Os resultados preliminares do inquérito sobre o sector do livro em Portugal, da responsabilidade do Observatório das Actividades Culturais, serão apresentados esta manhã, na Biblioteca Nacional, iniciando-se assim um processo que permitirá, espera-se, caracterizar com base em dados reais o mercado do livro português.

Na edição de hoje do Diário de Notícias apresentam-se alguns dados e Carlos da Veiga Ferreira, presidente da União dos Editores Portugueses, comenta os números e as tendências registadas pelos relatório preliminar. Para ler aqui.

24 janeiro 2008

O mundo dentro dos livros

Da vida secreta das plantas:





Seomara da Costa Primo, Compêndio de Botânica para o 2ºCiclo Liceal, Liv. Popular de Francisco Franco (depositária), s/data

23 janeiro 2008

Crónica dos Lugares IV

Não guardo uma memória muito nítida da primeira visita à Barateira. Terei lá chegado pela mão da minha irmã, que me ia ensinando os caminhos de Lisboa. Mas lembro-me bem das várias vezes em que lá voltei, assim que passei a ter idade para andar de comboio sozinha (um verdadeiro rito de passagem para os adolescentes suburbanos do meu tempo). As duas salas com estantes até ao tecto e pó de muitas gerações começaram, então, a ganhar a mesma dimensão que a gruta de Ali-Babá tinha ganho uns anos antes: com muito poucos escudos, voltava-se para casa com vários volumes e a escolha parecia interminável.

Nas prateleiras da Barateira descobri autores que, de outro modo, talvez só conhecesse muito mais tarde, aprendi a identificar editoras e catálogos e habituei-me ao design de algumas capas que ainda hoje guardo como bons exemplos. Na fase em que tinha a certeza de que quando fosse grande queria viver em Paris (numas águas-furtadas escurecidas, obviamente, mas talvez sem a parte decadente da tuberculose...) e em que a Françoise Sagan era a deusa do meu olimpo literário, passei boa parte das tardes livres em busca de mais títulos. Eu conhecia o Bonjour Tristesse e o Aimez-vous Brahms, mas precisava de mais. E encontrei: Um Raio de Sol na Água fria, Viver Não Custa, Dentro de Um Mês, Dentro de Um Ano. Quando a fase francesa acabou, foi lá que comprei os primeiros livros de Jack London, Machado de Assis e Steinbeck, e foi lá que procurei em vão a velha edição de Pela Estrada Fora, de Jack Kerouac, que só pude comprar em português muito depois, já na tradução de Relógio d’Água. Poucos anos mais tarde, com menos borbulhas e muitas certezas políticas ainda por questionar, as mesmas prateleiras forneceram-me doutrina e exemplos, para logo depois me fornecerem as dúvidas e inquietações de que nunca mais me separei.


Com o passar do tempo, a Barateira deixou de ser o meu ponto de refêrencia livresco. Conhecidos mais autores, a descoberta de nomes tornou-se pontual e a busca pelas estantes mais dada ao encontro de raridades bibliográficas ou velharias curiosas. Mas apesar do tempo, a imponência das duas salas separadas por um degrau onde as mesmas caixas de mapas parecem viver há décadas não perdeu o encanto e todos os motivos parecem bons para regressar. Há um ou dois anos, com o pretexto de um especial sobre livros policiais para a revista onde escrevo, passei por lá para colmatar algumas falhas na minha estante. O dossier falaria sobretudo de novidades editoriais, coisa que a Barateira não vende, mas isso não me impediu de encontrar um livro de Artur Cortez (com posfácio de Manuel Gusmão) da ‘Série Negra’ da Regra do Jogo, um ou dois livros do Inspector Maigret de Simenon, na velha edição da Bertrand, com o cachimbo a preto sobre a cor da capa, e alguns volumes mais antigos dos livrinhos de capa preta da Caminho. Tudo por poucas moedas, agora de euro. Tudo descoberto com os gestos de sempre: procurar com calma, ceder a todos os impulsos de curiosidade relativamente às lombadas que se vão sucedendo e deixar o inesperado levar a melhor no momento de decidir quais os livros que ficam e quais os que se trazem para casa. Nunca falhou.

Sublinhados VI

“Só no subsolo há segurança, paz e tranquilidade. E se as nossas ideias se ampliarem e aspirarmos à expansão, basta pormo-nos a escavar, e pronto! Se nos parecer que a nossa casa é um bocado grande, tapamos um buraco ou dois, e pronto! Nada de empreiteiros, pedreiros, comentários dos vizinhos a olhar por cima do muro e, acima de tudo, nenhuma dependência do estado do tempo.”

Kenneth Grahame, O Vento nos Salgueiros, Tinta da China (tradução de Júlio Henriques, p.83)

22 janeiro 2008

Prémio Vergílio Ferreira para Mário Cláudio

O Prémio Vergílio Ferreira acaba de ser anunciado e o autor distinguido nesta edição é Mário Cláudio.

A atribuição do prémio deste ano ao escritor Mário Cláudio foi decidida por unanimidade pelo júri, composto pelos professores universitários José Alberto Gomes Machado (Évora, presidente), José Carlos Seabra Pereira (Coimbra), Isabel Allegro de Magalhães (Nova de Lisboa) e Elisa Nunes Esteves (Évora) e pela jornalista e critica literária Clara Ferreira Alves.

A academia de Évora homenageia Mário Cláudio como um «nome cimeiro das letras portuguesas», lembrando que o escritor foi considerado por Vergílio Ferreira «um dos nomes mais promissores da sua geração».


(Fonte: Diário Digital)

O blog da Pó dos Livros



Já mora na rede há uns dias e começa a ficar composto. O blog da livraria Pó dos Livros abre com Mr. Mann and Roy, da série Little Britain (reflectindo sobre as vicissitudes e os equívocos do comércio livreiro...), e prossegue com alguns livros em destaque, entre novidades e preciosidades bibliográficas. Vai para a barra dos links, claro.

Piratas de livros

O Diário de Notícias dá conta dos números conhecidos da pirataria livresca em 2007: cento e cinquenta mil euros, foi quanto rendeu a fotocópia, e ainda houve quem oferecesse a capa a cores aos potenciais clientes. No entanto, segundo os dados da Inspecção Geral das Asctividades Culturais, os números da pirataria têm vindo a decrescer desde que as inspecções a reprografias se tornaram frequentes.

21 janeiro 2008

A biblioteca é do povo!

Via 1979, a história de Tadeusz Glowinski, um self-made bibliotecário na cidade polaca de Olesnica.

(Uma história mesmo à medida do Bibliotecário Anarquista).

O ciclo dos livros em NY

Depois de lidos, ou de abandonados por falta de interesse da leitura, os livros que os novaiorquinos deixam à porta dos prédios têm um destino melhor do que a reciclagem a que estavam condenados: alguém os recolhe e os leva para uma das muitas livrarias de usados que há na cidade, voltando a permitir que outro alguém os compre para ler. É o que fazem Thomas Germain e Brian Martin, fornecendo as prateleiras da Strand Bookstore; é o que devem fazer outras pessoas noutras ruas da cidade, salvando volumes da guilhotina recicladora, reanimando o negócio diário das livrarias de segunda mão e mantendo um trabalho tão respeitável como qualquer outro... ou talvez mais. A história toda pode ler-se aqui.

20 janeiro 2008

Ligar a televisão

O Câmara Clara de hoje é dedicado a Luiz Pacheco. Os convidados são Alberto Pimenta e Vítor Silva Tavares. É preciso dizer mais alguma coisa?
Às 22h45, na RTP 2.

19 janeiro 2008

Se a ASAE descobre...



...que há livros que parecem maços de cigarros, não sei o que será da Tank.

18 janeiro 2008

Encontros felizes II



Foi na Pó dos Livros, onde os fundos e as novidades escolhidas a dedo coexistem em boa harmonia e a vertigem da rotação dos escaparates parece não vingar.
A edição é de 1989, da Guimarães Editores, e o exemplar está em perfeito estado.

Leituras

Eliot Weinberger sobre a tradução de Robert Alter do Livro dos Salmos, um dossier sobre as primeiras leituras, no The Telegraph, e a habitual entrevista das sextas-feiras no Blogtailors, hoje com Carlos da Veiga Ferreira, da Teorema.